quinta-feira, 17 de setembro de 2020

A fome e a hipocrisia do presidente Bolsonaro

Entre 2017 e 2018, a fome avançou. Esta registrado pelo IBGE. Em 2019, do alto de sua ignorância, para a alegria dos ignorantes, o presidente desdenhava dos dados sobre uma realidade antiga - mitigada, mas não totalmente superada, durante a era lulopetista: a fome. 

Mas, claro, quando veio a pandemia e a perspectiva real de danos para o capital político do governo, de repente o Boçal passou a se preocupar com o assunto. Como a economia seria atingida, não hesitou usar o argumento falacioso da fome matar mais do que o vírus. 

Sem vergonha de ser canalha, faz de conta esquecer o seu próprio descaso sobre o assunto até a chegada da pandemia e fingir que a ação desta poderia ser facilmente superada pelo alastramento do drama da fome.  Tudo devidamente ensaiado como mais uma de suas ações sabotadoras contra as medidas de segurança sanitária.

O país continua com o fantasma da fome mais vivo do que nunca, antes e durante a pandemia, e continuará depois dela. E, a levar em conta a preocupação desse governo liberal reacionário, não o espantará. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

A arte de zurrar e dar coice dos reacionários bolsonaristas

O título deste texto apresenta uma redundância provocativa. Reacionarismo e bolsonarismo representam, essencialmente, a mesma coisa. Mas o segundo acaba por realçar um reacionarismo ligado à uma figura específica - e execrável. Após a introdução, avancemos para o fato que inspira estas mal traçadas linhas - eu gosto desse clichê.

O ministro do STF participava de um evento pela internet promovido pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso. Num dado momento comentou que a democracia do país era resiliente, apesar do presidente Bolsonaro ser defensor da tortura e da ditadura militar. Foi o suficiente para que as hostes reacionárias e fascistoides do bolsonarismo se pusessem a zurrar e distribuir coices nas redes sociais.

General Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, foi um dos primeiros a ter ataques de pelanca, falando até em tentativas de derrubada do presidente. Foi seguido por diversos políticos da turma reaça e seus rebanhos. Mas confesso que não entendi.

Ora, o senhor Bolsonaro nunca escondeu o seu apreço pela ditadura militar brasileira e sua predileção para a tortura. Qualquer um minimamente alfabetizado é capaz de digitar no YouTube "Bolsonaro tortura ditadura militar" e ser brindado com a essência do presidente terrivelmente cristão. Sempre exaltou a violência e a morte. Qual é a surpresa? 

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

De volta à trincheira. Combater o monstro reacionário é preciso!

Foram muitos anos de inatividade. Mas agora é o momento de retorno. Sinceramente, achei que com o advento das redes sociais nunca mais retornaria com o blog. Porém as circunstâncias me trouxeram a ele novamente. Foi daqui que bati bastante no lulopetismo, quando isto não era modinha. Brigava contra certo, digamos, dogmatismo da esquerda, que insistia em não ver como os erros poderiam contribuir para chegar onde chegamos. Diversos amigas e amigos escolhiam me acusar de direitismo ou conservadorismo por não aceitarem minhas posições críticas. Contudo, sempre preferi a razão à emoção. Não precisávamos estar vivendo este momento obscuro, ainda que o poder não tivesse nas mãos do progressismo, como agora.


E por que ressuscitar o blog, ao invés de se limitar ao Facebook, onde sou muito atuante, ou criar uma conta no Twiiter? Porque o blog, antes de qualquer coisa, sempre me serviu como um diário para registar meu descontentamento – e poder revisitá-lo quando necessário. Diversas vezes, quando chamado de petista por conta da limitação imposta pelos tempos polarizadores, pude demonstrar ao meu interlocutor ou opositor, não raro descobridor tardio da política e, o desastre!, do presidente atual, que mais de uma década antes dele se tornar uma marionete antipetista, eu já era crítico ao governo. Então não me venha com essa bobagem pois corre risco de ser taxado de analfabeto político. Textos críticos no FB se perdem. E devido a eu não ter preguiça de escrever, o Twitter torna-se limitado.

Fato é que não dava mais para deixar o blog na zona morta com tanta tragédia e bizarrice acontecendo. Quero, no futuro, poder revisitar o que escrevi e lembrar vividamente que não me acorvadei, independente da tempestade. Meu alvo hoje é o bolsonarismo. E bombardearei com prazer todas as suas estultices, bizarrices e tolices, não importa quão populares sejam. A unanimidade, como deixou magistralmente registrado Nelson Rodrigues, é burra.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Engolido pela convicção

Já nem me lembro a última vez que publiquei alguma impressão acerca de qualquer coisa neste espaço de desabafo. Fatores diversos me impeliram a suspender o registro de minhas indignações: o tempo que praticamente inexiste, o fastio cada vez mais crescente ao acompanhar nossa política oficial e o debate que a envolve, além me sentir mais e mais desesperançoso com o tal do ser humano. Enfim, estou chutando o balde, a porta e de saco cheio com tudo.

No entanto, me senti na obrigação de ressuscitar brevemente este espaço para demonstrar a grande ilusão que ampara o discurso da nossa esquerda tão preocupada em salvar este país da merda. Serei breve, pois devia estar dormindo ou cuidando de coisas mais relevantes para minha vida. Eduardo Guimarães, notório lulista conhecido no mundo virtual por quem acompanha a guerra político-ideológica entre a esquerda e direita no Brasil, vive se arvorando defensor dos oprimidos contra os exploradores. Assumiu sua posição à esquerda de Lula, a quem defende com unhas e dentes, e partiu para batalha contra o monstro midiático da grande imprensa. A quem goste de seu estilo. Eu descarto: acho muito espalhafatoso.

Já registrei uma ou outra patacoada desse cidadão aqui ou no meu blog anterior. A mais nova dele surgiu após uma notícia sobre a doença de Hugo Chávez, outro de seus ídolos. Reclama de que jornalistas da grande mídia divulgam notícia sem chegar devidamente os fatos e que ainda criticam o trabalho produzido por blogs “progreçistas” como o dele, que seriam exemplo de qualidade – e por extensão, modelo a ser seguido no outro mundo possível. Até aí, faço de conta que engulo – mesmo com tese duvidosa quanto à qualidade superior do jornalismo independente (sic) dos blogs militantes de esquerda.

O problema é que ele inicia sua crítica relembrando um fato ocorrido semanas atrás sobre comentários de um blogueiro do Estadão , que descia o sarrafo na qualidade duvidosa do trabalho da turma militante à esquerda e manda o seguinte:
Para fortalecer sua teoria, o teleguiado da família Mesquita usou como “exemplo” de sua tese notícias veiculadas por blogs sobre desaparecidos durante o massacre do Pinheirinho. O tal “blogueiro” do Estadão mentiu dizendo que blogs anunciaram mortes, quando anunciaram desaparecimentos.
O fato é que a blogosfera tem sido um exemplo de bom jornalismo, pois quando erra faz suas reparações e permite espaço ao contraditório de suas diversas linhas editoriais, contraditório esse que a grande imprensa nega a quem dela diverge.”
Fiquei curioso sobre o ponto negritado acima, pois acompanhei a indignação acerca o ocorrido em Pinheirinhos. Realmente, a notícia dando como certa a morte de moradores naquela operação da PM paulista foi divulgada em massa na blogsfera, chegando a tomar forma de panfletos oferecidos a mim a diversos transeuntes no Centro de Vitória, capital do ES, onde trabalho. Vou ao São Google para refrescar a memória e com o que me deparo? A repercussão das “mortes” de moradores de Pinheirinhos por blogs “progreçistas”, dentre os quais o do Sr. Eduardo Guimarães. Vejamos:
Não tenho muito que escrever. E provavelmente não poderia, com o coração sangrando como está. Só espero que as pessoas que não entenderam quando pessoas como eu diziam da violência que estava ocorrendo no Pinheirinho, que repensem o tratamento que devem dar a semelhantes alvejados pela selvageria, pela politicagem e pelo capitalismo selvagem.
Reproduzo, abaixo, reportagens do UOL sobre as mortes no Pinheirinho, inclusive de crianças, vídeos do blog Maria da Penha Neles e do Partido da Causa Operária (PCO), que mostram indícios da tortura de que a polícia e o governador de São Paulos são acusados de praticar contra aquelas famílias indefesas, sem falar nas mentiras odientas da mídia sobre aqueles pobres coitados.”

Pois é, o blog do Guimarães foi um dos que deu eco à tese de mortes em Pinheirinho, algo até hoje não comprovado e que gerou um “erramos” por parte da Agência Brasil, responsável pelo “furo” da notícia recebida, ao que parece, como um trunfo pelos militantes de esquerda.
Bem, não há muito mais a ser dito; os links para ver mais essa obra de mistificação de gente afogada em suas taras ideológicas estão abaixo. Se sumirem, tenho guardado os prints para estudos futuros sobre o modelo de excelência da imprensa dita alternativa para combater o modelo chinfrim da grande imprensa.
Esperar o que de gente que idolatra Chávez e Fidel?
Que enfado...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Cultivando a boçalidade


Não ando com tempo e nem ânimo para escrever. O marasmo cultural, político e social que nos cerca, me leva a guardar meus esforços para blindar meu espírito da insipiência que grassa em nossa sociedade. Não é novidade que um dos “hits” atuais seja discutir o comportamento do humorista e apresentador Rafinha Bastos, que anda trocando os pés e as mãos pelas patas na hora de fazer, digamos, humor. Até comentei sobre outra estupidez perpetrada por ele meses atrás em um de seus shows ao falar sobre o bem que o estupro faria a mulheres feias. Não se tratava de simples humor negro ou, para estar em harmonia com a moda, a onda politicamente incorreta; era mau gosto mesmo.

Agora, Rafinha resolveu atacar na bancada do CQC, programa da Bandeirantes. Soltou um comentário bizarro, digno de adolescente em meios aos seus iguais quando ainda experimenta a falta de limite – ou de exercício da inteligência –  e o desejo de transgredir minimamente: falou que comeria a cantora Wanessa Camargo e a criança que se forma em seu ventre. Foi de uma boçalidade ímpar.

Depois disso, Rafinha foi afastado a partir dessa semana do CQC, mas parece que isto somente lhe deu mais ânimo de continuar seu deleite no oceano da ignorância: já postou comentários na internet debochando de sua suspensão (por ora, e ao que tudo indica, temporária), recebeu apoio de seus seguidores no twitter (são mais de 3 milhões) e, agora, leio no blog do Nassif o defesa de seu pai, que reproduzo a seguir:

A defesa do pai de Rafinha

Por julio roberto hocsman
Prezados Leitores
Após as várias críticas ao Rafinha surgiu,, uma entre tantas outras,  que me obriga manifestação.Filhinho de papai. Esta posta-se em primero lugar entre as mais equivocadas. Tosco, grosseiro,piadista pesado vá lá, são os riscos da atividade ,mas filhinho do papai definitivamente não. E digo isto na qualidade honrosa de seu pai! Na qualidade de quem sempre esteve  e estará ao seu lado para o que der  e vier. Vos digo tambem como pai e amigo que o Rafa jamais se colocará como vítima desta história. Ele é um humorista de texto própio, que saiu aqui do Sul há 10 anos e venceu na mais competitiva cidade do Brasil. Talvez aí resida o foco maior da desmesurada raiva contra ele.
p>Raiva de seus própios colegas de televisão. Alguns em início(não sei se passarão disto) e outros com carreiras já concluidas. Uns e outros que já pousaram de democratas e hoje se arrastam em busca de favores do que de mais retrógado ainda persiste em existir neste pais. Nós da familia estamos tristes,  não há como negar. Tristes por ele e pela constatação do grande espaço que a mediocridade ainda ocupa entre nós. E é dela que o mal se alimenta e não das piadas do meu filho. Mas felizmente , assim como o Miguel do Rosario existem muitos outros inconformados e é isto que nos anima. Mas como diz o canto alegretense vai Rafinha , segue o rumo do teu própio coração. E um beijo bem grande nele. Teus pais Julio e Iolanda e tua irmã bárbara.

Bem, até posso entender a manifestação de apoio de um pai nos momentos de dificuldade dos filhos. Sou pai “recente” e já experimento os efeitos do amor que nutrimos por quem dedicamos nossa vida. Não obstante, apoio não deve ser sinônimo de lançar-se ao erro, quando deveríamos salvar alguém dele. O pai de Rafinha Bastos, no afã de ajudar seu filho, corrobora com a sua boçalidade.

Ora, Bastos não tem que se colocar na condição daquilo que, definitivamente, não é. Ao assumir uma postura tola, adolescente, produzindo lixo como pretenso humor, quis manter-se na condição de agressor. Nada, absolutamente nada, o permite posar – ou “pousar” como diz seu pai – como vítima nesse episódio. Outra: a reprovação ao comportamento bronco de Rafinha não pode ser visto como simples reação de ciumezinho ególatra de seus iguais e outros frustrados por ele ter vindo do Sul e vencido no olho do furacão. Isto é uma bobagem enorme. Rafinha errou. Errou ao optar pela boçalidade, pelo mau gosto, pela estupidez, pelo desejo de vencer a qualquer custo. Este é o fato.

Fala ainda o pai em “constatação do grande espaço que a mediocridade ainda ocupa entre nós”. Tem toda razão, ainda que a mira de sua crítica esteja torta. A mediocridade vem reinando e gente como Rafinha, que opta pela baixeza para alcançar os seus objetivos, é representante dela.

Espero, sinceramente, que o acontecimento sirva para que Bastos tire algum proveito, capaz de fazê-lo crescer enquanto ser humano. Até então admirava o seu trabalho, mesmo como humorista. Sua performance no bom programa “A Liga”, em nada lembra esse Rafinha estúpido, representante da ignomínia reinante em nossos tempos. Quero acreditar, ainda, em seu talento para além da baixeza. Humor pode ser ácido, sarcástico, sem apelar à mediocridade.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Fim para uma grande voz punk

É, somente a tragédia para me fazer reviver o blog. Não a cotidiana. Esta anda dispensando meus comentários. Leio nos meios especializados há pouco que Redson, lendário vocalista da histórica banda punk brasileira Cólera, partiu de nossos dias tenebrosos. Lamentável. O Cólera foi um dos grupos essenciais para a geração e desenvolvimento da cultura punk no Brasil, além de ser uma voz um tanto destoante em meio à rudeza da consciência punk reinante. Redson e sua trupe eram radicalmente pacifistas e tolerantes.

Que sua consciência encontre conforto e morada em paragens menos ignorantes e artificiais que estas nas quais vivemos.

"Forte e grande é você!"

domingo, 21 de agosto de 2011

Estranho modo de não ser racista


Costumo ler o blog do jornalista Janer Cristaldo. Seu estilo direto ao tratar de assuntos polêmicos me chama atenção. Até mesmo já troquei algumas mensagens com ele a partir de uns comentários feitos por mim acerca de alguns artigos seus. Contudo, nunca ficou muito clara para mim a sua postura sobre assuntos como o racismo e xenofobia. Cristaldo, não só uma vez, já tentou explicar sua posição (o artigo Armadilha para negros disponível aqui, é um exemplo), porém, parece nunca ter deixado transparente se realmente tem ou não algo contra negros.

E por que faço disso objeto de análise? Porque volta e meia Janer expõe sua opinião sobre raças e imigrantes na Europa de maneira que as palavras e o tratamento que as dá ficariam muito bem na boca da malta racista e xenófoba. Recentemente, ao discorrer sobre o número de estupros na Suécia, lembrou de uma estatística que mostrava o país em 2° lugar na prática destes crimes sexuais e que grande parte dos seus autores são imigrantes árabes e africanos, algo não noticiado. 

Por fim, ao comentar a morte de uma jovem sueca – defensora do multiculturalismo – por um imigrante negro, se mostrou chocado por ter tido acesso a um “vídeo abominável” no qual a mesma jovem sueca assassinada simulava um ato sexual com um negro em prol da diversidade e cantando o hino de sua terra natal. Ora, o vídeo revelou-se repulsivo ao jornalista por insinuar um ato sexual entre uma branca e um negro, ao som do hino da Suécia ou por que Janer, um libertino assumido, se mostra um patriota sensível com as terras alheias? 

Cristaldo, por mais que pareça ser um homem de grande bagagem intelectual, não cansa de dar exemplo de alma tacanha e mesquinha. Ainda tem a mente presa a ideias de alta e baixa cultura. Vê o mundo como um grande achado do homem branco, sendo que outras etnias não teriam sido capazes de dar contribuição à dita civilização. Acaba por enquadrar-se em tipos como este, que vê na Europa – melhor: os países de 1° mundo da Europa – uma terra invadida por bárbaros.

Claro, todo país deve ter uma política que controle de maneira mais adequada a passagem de estrangeiros por suas fronteiras. E mais: ao acolhê-los, demonstre que as regras para os nativos são regras para aqueles que desejam ali viver. No entanto, ao tratar imigrantes, principalmente os advindos dos países pobres, como feras é lastimável. Alimenta o ódio dos espíritos medíocres e influencia as mentes rasas, que enxergarão naquele que foge de seu padrão étnico como um inimigo a ser combatido – e abatido. Sempre. 

Creio que Janer, ao opor-se a exageros de certos espíritos politicamente corretos, escolheu como trincheira a vala abominável do preconceito – ainda que supostamente não queira.

sábado, 30 de julho de 2011

Considerações em torno do brioco da Sandy

He he he. Tentei me esquivar, mas não consegui. Logo, decidi fazer o registro para, quem sabe, daqui há uns 50 anos, se vivo estiver, lembrar desses dias tão tolos vividos. Virou o assunto da semana, quiçá do ano – talvez poderemos relembrá-lo no Retrospectiva 2011. É sobre o brioco da Sandy. Ou ânus. Ou, vá lá, o cu da moça. Está no centro – sem ironia – das atenções. Ao menos na imaginação e, principalmente, língua – hum... – do povo. 

Tudo por conta de uma suposta declaração feita pela moça para a revista Playboy, durante entrevista. “É possível ter prazer anal”, teria dito a donzela que ultimamente parece empenhada em se mostrar, à sua maneira, devassa aos olhos do mundo. Segundo Sandy as palavras não foram bem essas e tal, tentou se esquivar, mas a internet está fazendo o serviço de tornar as coisas da maneira que a Playboy expôs. A propósito, a revista promete disponibilizar o áudio na íntegra da famigerada entrevista. O mundo aguarda desejoso.

Mas por que tanta celeuma? Recentemente, Cléo Pires disse a mulherada curte alargar o esfíncter. Não chegou a causar tanto burburinho. Porém, quando a coisa é atribuída a recatada Sandy, toma um rumo diferente. Afinal, a indústria midiática sempre vendeu uma imagem de boa moça dela que, quando se ouve uma opinião que contraria esta tola projeção no consciente coletivo, o alvoroço é instantâneo. 

Sexo anal ainda se mostra tabu em nossa sociedade, mesmo do lado ocidental, tão cheia de licenciosidades. O espírito religioso nos ensinou ser uma prática contrária aos desígnios divinos, em especial por ser associada ao homossexualismo entre homens. Perversão!, acusam os supostos defensores dos bons costumes. O troço é tão incômodo – aqui, enquanto assunto –, que gaiata vai para internet pedir opinião se liberar o ânus é errado... 

Logo, se deparar com Sandy, o arquétipo da menina pura e meiga que todo pai gostaria de ter em sua família, supostamente dizendo que gozar tomando atrás é algo possível, pode representar um marco. E por quê? Ora, a mulherada não gosta – ou finge não gostar – nem de tratar do assunto; quanto mais liberar o desejado. Se Sandy, a mulher modelo de uma sociedade dissimulada e hipócrita, resolve chutar o balde, poderemos assistir o nascimento de uma nova era: se até a Sandy dá, por que não dar? E o cu feminino finalmente reinará sem culpa.

Que venha o áudio de Playboy e a coisa seja realmente como se está dizendo: espero que a mulherada adira relaxadamente aos conselhos da boa moça.

domingo, 24 de julho de 2011

Descanso

Como outras carreiras do meio artístico, a dela foi igualmente avassaladora e breve. Uma pletora de talento circundada por uma existência perturbada que, como em outras ocasiões, tomou um atalho para o abismo ao encontrar-se no centro devorador de corações e mentes da indústria cultural: bajulações, facilidades, interesses, superficialidades. Apenas talento não é o suficiente para resistir à doença da autodestruição.

Aconteceu tudo conforme o script trágico do “destino” de diversas personalidades do universo da arte manda: a descoberta, a exposição, o sucesso, a pressão, o excesso, a entrega, o fim precoce. Ela tinha 27 anos e, coincidência ou “destino”, morreu com a mesma idade e da mesma forma trágica que tantos outros talentos erigidos à categoria de ídolos: Jim Morrison, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones e Kurt Cobain. 

Fosse eu adepto de teorias e conspiratas para além do plano físico, diria que há algo por trás de tudo isso. As letras que formam os nomes deles estão tão próximas que não se poderia fugir do funesto destino: B e C, J, K e M. Agora o A... Sem contar o mês de julho, fatal para Brian, Jim e ela. Mas não creio ser necessário mergulhar em hipóteses ocultas para compreender a desgraça responsável por tragar mais um talento da música sob a égide da cultura pop. 

A tragédia de Amy está ao nosso lado, às vezes dentro do nosso círculo familiar ou de relacionamentos. Aflige-nos por assistirmos, não raro impotentes, a derrocada de uma existência frágil que ilusoriamente descobre no excesso o remédio para sua infelicidade. Infelicidade esta que ignora status quando tem de aportar em corações, tragando espíritos e devorando vidas.

Amy Winehouse está morta. Ainda que não se saiba realmente se por overdose de drogas, certamente partiu por dose excessiva de infelicidade. Uma consciência atormentada por viver em um mundo cada vez menos real e mais exigente. Ignoro a existência de existência pós-morte. Não obstante, se nossas consciências puderem transpor o aparente limite do fim da vida, torço para que Amy possa encontrar descanso após essa passagem turbulenta pela vida.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Longe

Tempos sufocantes. Pressões, urgências, quase um reino da loucura! Respirar por esses dias parece ser algo cada vez mais difícil. Esta tal vida moderna me aborrece profundamente. Às vezes parece que somente há duas opções: ficar e aguardar a loucura reinar definitivamente ou ouvir o espírito misantropo e partir para o isolamento, tentando se salvar da doença social que se alastra.

Ainda descubro um meio de chegar naquele lugar distante, onde posso ter um encontro real comigo mesmo...