sábado, 18 de fevereiro de 2012

Engolido pela convicção

Já nem me lembro a última vez que publiquei alguma impressão acerca de qualquer coisa neste espaço de desabafo. Fatores diversos me impeliram a suspender o registro de minhas indignações: o tempo que praticamente inexiste, o fastio cada vez mais crescente ao acompanhar nossa política oficial e o debate que a envolve, além me sentir mais e mais desesperançoso com o tal do ser humano. Enfim, estou chutando o balde, a porta e de saco cheio com tudo.

No entanto, me senti na obrigação de ressuscitar brevemente este espaço para demonstrar a grande ilusão que ampara o discurso da nossa esquerda tão preocupada em salvar este país da merda. Serei breve, pois devia estar dormindo ou cuidando de coisas mais relevantes para minha vida. Eduardo Guimarães, notório lulista conhecido no mundo virtual por quem acompanha a guerra político-ideológica entre a esquerda e direita no Brasil, vive se arvorando defensor dos oprimidos contra os exploradores. Assumiu sua posição à esquerda de Lula, a quem defende com unhas e dentes, e partiu para batalha contra o monstro midiático da grande imprensa. A quem goste de seu estilo. Eu descarto: acho muito espalhafatoso.

Já registrei uma ou outra patacoada desse cidadão aqui ou no meu blog anterior. A mais nova dele surgiu após uma notícia sobre a doença de Hugo Chávez, outro de seus ídolos. Reclama de que jornalistas da grande mídia divulgam notícia sem chegar devidamente os fatos e que ainda criticam o trabalho produzido por blogs “progreçistas” como o dele, que seriam exemplo de qualidade – e por extensão, modelo a ser seguido no outro mundo possível. Até aí, faço de conta que engulo – mesmo com tese duvidosa quanto à qualidade superior do jornalismo independente (sic) dos blogs militantes de esquerda.

O problema é que ele inicia sua crítica relembrando um fato ocorrido semanas atrás sobre comentários de um blogueiro do Estadão , que descia o sarrafo na qualidade duvidosa do trabalho da turma militante à esquerda e manda o seguinte:
Para fortalecer sua teoria, o teleguiado da família Mesquita usou como “exemplo” de sua tese notícias veiculadas por blogs sobre desaparecidos durante o massacre do Pinheirinho. O tal “blogueiro” do Estadão mentiu dizendo que blogs anunciaram mortes, quando anunciaram desaparecimentos.
O fato é que a blogosfera tem sido um exemplo de bom jornalismo, pois quando erra faz suas reparações e permite espaço ao contraditório de suas diversas linhas editoriais, contraditório esse que a grande imprensa nega a quem dela diverge.”
Fiquei curioso sobre o ponto negritado acima, pois acompanhei a indignação acerca o ocorrido em Pinheirinhos. Realmente, a notícia dando como certa a morte de moradores naquela operação da PM paulista foi divulgada em massa na blogsfera, chegando a tomar forma de panfletos oferecidos a mim a diversos transeuntes no Centro de Vitória, capital do ES, onde trabalho. Vou ao São Google para refrescar a memória e com o que me deparo? A repercussão das “mortes” de moradores de Pinheirinhos por blogs “progreçistas”, dentre os quais o do Sr. Eduardo Guimarães. Vejamos:
Não tenho muito que escrever. E provavelmente não poderia, com o coração sangrando como está. Só espero que as pessoas que não entenderam quando pessoas como eu diziam da violência que estava ocorrendo no Pinheirinho, que repensem o tratamento que devem dar a semelhantes alvejados pela selvageria, pela politicagem e pelo capitalismo selvagem.
Reproduzo, abaixo, reportagens do UOL sobre as mortes no Pinheirinho, inclusive de crianças, vídeos do blog Maria da Penha Neles e do Partido da Causa Operária (PCO), que mostram indícios da tortura de que a polícia e o governador de São Paulos são acusados de praticar contra aquelas famílias indefesas, sem falar nas mentiras odientas da mídia sobre aqueles pobres coitados.”

Pois é, o blog do Guimarães foi um dos que deu eco à tese de mortes em Pinheirinho, algo até hoje não comprovado e que gerou um “erramos” por parte da Agência Brasil, responsável pelo “furo” da notícia recebida, ao que parece, como um trunfo pelos militantes de esquerda.
Bem, não há muito mais a ser dito; os links para ver mais essa obra de mistificação de gente afogada em suas taras ideológicas estão abaixo. Se sumirem, tenho guardado os prints para estudos futuros sobre o modelo de excelência da imprensa dita alternativa para combater o modelo chinfrim da grande imprensa.
Esperar o que de gente que idolatra Chávez e Fidel?
Que enfado...