quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Cultivando a boçalidade


Não ando com tempo e nem ânimo para escrever. O marasmo cultural, político e social que nos cerca, me leva a guardar meus esforços para blindar meu espírito da insipiência que grassa em nossa sociedade. Não é novidade que um dos “hits” atuais seja discutir o comportamento do humorista e apresentador Rafinha Bastos, que anda trocando os pés e as mãos pelas patas na hora de fazer, digamos, humor. Até comentei sobre outra estupidez perpetrada por ele meses atrás em um de seus shows ao falar sobre o bem que o estupro faria a mulheres feias. Não se tratava de simples humor negro ou, para estar em harmonia com a moda, a onda politicamente incorreta; era mau gosto mesmo.

Agora, Rafinha resolveu atacar na bancada do CQC, programa da Bandeirantes. Soltou um comentário bizarro, digno de adolescente em meios aos seus iguais quando ainda experimenta a falta de limite – ou de exercício da inteligência –  e o desejo de transgredir minimamente: falou que comeria a cantora Wanessa Camargo e a criança que se forma em seu ventre. Foi de uma boçalidade ímpar.

Depois disso, Rafinha foi afastado a partir dessa semana do CQC, mas parece que isto somente lhe deu mais ânimo de continuar seu deleite no oceano da ignorância: já postou comentários na internet debochando de sua suspensão (por ora, e ao que tudo indica, temporária), recebeu apoio de seus seguidores no twitter (são mais de 3 milhões) e, agora, leio no blog do Nassif o defesa de seu pai, que reproduzo a seguir:

A defesa do pai de Rafinha

Por julio roberto hocsman
Prezados Leitores
Após as várias críticas ao Rafinha surgiu,, uma entre tantas outras,  que me obriga manifestação.Filhinho de papai. Esta posta-se em primero lugar entre as mais equivocadas. Tosco, grosseiro,piadista pesado vá lá, são os riscos da atividade ,mas filhinho do papai definitivamente não. E digo isto na qualidade honrosa de seu pai! Na qualidade de quem sempre esteve  e estará ao seu lado para o que der  e vier. Vos digo tambem como pai e amigo que o Rafa jamais se colocará como vítima desta história. Ele é um humorista de texto própio, que saiu aqui do Sul há 10 anos e venceu na mais competitiva cidade do Brasil. Talvez aí resida o foco maior da desmesurada raiva contra ele.
p>Raiva de seus própios colegas de televisão. Alguns em início(não sei se passarão disto) e outros com carreiras já concluidas. Uns e outros que já pousaram de democratas e hoje se arrastam em busca de favores do que de mais retrógado ainda persiste em existir neste pais. Nós da familia estamos tristes,  não há como negar. Tristes por ele e pela constatação do grande espaço que a mediocridade ainda ocupa entre nós. E é dela que o mal se alimenta e não das piadas do meu filho. Mas felizmente , assim como o Miguel do Rosario existem muitos outros inconformados e é isto que nos anima. Mas como diz o canto alegretense vai Rafinha , segue o rumo do teu própio coração. E um beijo bem grande nele. Teus pais Julio e Iolanda e tua irmã bárbara.

Bem, até posso entender a manifestação de apoio de um pai nos momentos de dificuldade dos filhos. Sou pai “recente” e já experimento os efeitos do amor que nutrimos por quem dedicamos nossa vida. Não obstante, apoio não deve ser sinônimo de lançar-se ao erro, quando deveríamos salvar alguém dele. O pai de Rafinha Bastos, no afã de ajudar seu filho, corrobora com a sua boçalidade.

Ora, Bastos não tem que se colocar na condição daquilo que, definitivamente, não é. Ao assumir uma postura tola, adolescente, produzindo lixo como pretenso humor, quis manter-se na condição de agressor. Nada, absolutamente nada, o permite posar – ou “pousar” como diz seu pai – como vítima nesse episódio. Outra: a reprovação ao comportamento bronco de Rafinha não pode ser visto como simples reação de ciumezinho ególatra de seus iguais e outros frustrados por ele ter vindo do Sul e vencido no olho do furacão. Isto é uma bobagem enorme. Rafinha errou. Errou ao optar pela boçalidade, pelo mau gosto, pela estupidez, pelo desejo de vencer a qualquer custo. Este é o fato.

Fala ainda o pai em “constatação do grande espaço que a mediocridade ainda ocupa entre nós”. Tem toda razão, ainda que a mira de sua crítica esteja torta. A mediocridade vem reinando e gente como Rafinha, que opta pela baixeza para alcançar os seus objetivos, é representante dela.

Espero, sinceramente, que o acontecimento sirva para que Bastos tire algum proveito, capaz de fazê-lo crescer enquanto ser humano. Até então admirava o seu trabalho, mesmo como humorista. Sua performance no bom programa “A Liga”, em nada lembra esse Rafinha estúpido, representante da ignomínia reinante em nossos tempos. Quero acreditar, ainda, em seu talento para além da baixeza. Humor pode ser ácido, sarcástico, sem apelar à mediocridade.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Fim para uma grande voz punk

É, somente a tragédia para me fazer reviver o blog. Não a cotidiana. Esta anda dispensando meus comentários. Leio nos meios especializados há pouco que Redson, lendário vocalista da histórica banda punk brasileira Cólera, partiu de nossos dias tenebrosos. Lamentável. O Cólera foi um dos grupos essenciais para a geração e desenvolvimento da cultura punk no Brasil, além de ser uma voz um tanto destoante em meio à rudeza da consciência punk reinante. Redson e sua trupe eram radicalmente pacifistas e tolerantes.

Que sua consciência encontre conforto e morada em paragens menos ignorantes e artificiais que estas nas quais vivemos.

"Forte e grande é você!"

domingo, 21 de agosto de 2011

Estranho modo de não ser racista


Costumo ler o blog do jornalista Janer Cristaldo. Seu estilo direto ao tratar de assuntos polêmicos me chama atenção. Até mesmo já troquei algumas mensagens com ele a partir de uns comentários feitos por mim acerca de alguns artigos seus. Contudo, nunca ficou muito clara para mim a sua postura sobre assuntos como o racismo e xenofobia. Cristaldo, não só uma vez, já tentou explicar sua posição (o artigo Armadilha para negros disponível aqui, é um exemplo), porém, parece nunca ter deixado transparente se realmente tem ou não algo contra negros.

E por que faço disso objeto de análise? Porque volta e meia Janer expõe sua opinião sobre raças e imigrantes na Europa de maneira que as palavras e o tratamento que as dá ficariam muito bem na boca da malta racista e xenófoba. Recentemente, ao discorrer sobre o número de estupros na Suécia, lembrou de uma estatística que mostrava o país em 2° lugar na prática destes crimes sexuais e que grande parte dos seus autores são imigrantes árabes e africanos, algo não noticiado. 

Por fim, ao comentar a morte de uma jovem sueca – defensora do multiculturalismo – por um imigrante negro, se mostrou chocado por ter tido acesso a um “vídeo abominável” no qual a mesma jovem sueca assassinada simulava um ato sexual com um negro em prol da diversidade e cantando o hino de sua terra natal. Ora, o vídeo revelou-se repulsivo ao jornalista por insinuar um ato sexual entre uma branca e um negro, ao som do hino da Suécia ou por que Janer, um libertino assumido, se mostra um patriota sensível com as terras alheias? 

Cristaldo, por mais que pareça ser um homem de grande bagagem intelectual, não cansa de dar exemplo de alma tacanha e mesquinha. Ainda tem a mente presa a ideias de alta e baixa cultura. Vê o mundo como um grande achado do homem branco, sendo que outras etnias não teriam sido capazes de dar contribuição à dita civilização. Acaba por enquadrar-se em tipos como este, que vê na Europa – melhor: os países de 1° mundo da Europa – uma terra invadida por bárbaros.

Claro, todo país deve ter uma política que controle de maneira mais adequada a passagem de estrangeiros por suas fronteiras. E mais: ao acolhê-los, demonstre que as regras para os nativos são regras para aqueles que desejam ali viver. No entanto, ao tratar imigrantes, principalmente os advindos dos países pobres, como feras é lastimável. Alimenta o ódio dos espíritos medíocres e influencia as mentes rasas, que enxergarão naquele que foge de seu padrão étnico como um inimigo a ser combatido – e abatido. Sempre. 

Creio que Janer, ao opor-se a exageros de certos espíritos politicamente corretos, escolheu como trincheira a vala abominável do preconceito – ainda que supostamente não queira.

sábado, 30 de julho de 2011

Considerações em torno do brioco da Sandy

He he he. Tentei me esquivar, mas não consegui. Logo, decidi fazer o registro para, quem sabe, daqui há uns 50 anos, se vivo estiver, lembrar desses dias tão tolos vividos. Virou o assunto da semana, quiçá do ano – talvez poderemos relembrá-lo no Retrospectiva 2011. É sobre o brioco da Sandy. Ou ânus. Ou, vá lá, o cu da moça. Está no centro – sem ironia – das atenções. Ao menos na imaginação e, principalmente, língua – hum... – do povo. 

Tudo por conta de uma suposta declaração feita pela moça para a revista Playboy, durante entrevista. “É possível ter prazer anal”, teria dito a donzela que ultimamente parece empenhada em se mostrar, à sua maneira, devassa aos olhos do mundo. Segundo Sandy as palavras não foram bem essas e tal, tentou se esquivar, mas a internet está fazendo o serviço de tornar as coisas da maneira que a Playboy expôs. A propósito, a revista promete disponibilizar o áudio na íntegra da famigerada entrevista. O mundo aguarda desejoso.

Mas por que tanta celeuma? Recentemente, Cléo Pires disse a mulherada curte alargar o esfíncter. Não chegou a causar tanto burburinho. Porém, quando a coisa é atribuída a recatada Sandy, toma um rumo diferente. Afinal, a indústria midiática sempre vendeu uma imagem de boa moça dela que, quando se ouve uma opinião que contraria esta tola projeção no consciente coletivo, o alvoroço é instantâneo. 

Sexo anal ainda se mostra tabu em nossa sociedade, mesmo do lado ocidental, tão cheia de licenciosidades. O espírito religioso nos ensinou ser uma prática contrária aos desígnios divinos, em especial por ser associada ao homossexualismo entre homens. Perversão!, acusam os supostos defensores dos bons costumes. O troço é tão incômodo – aqui, enquanto assunto –, que gaiata vai para internet pedir opinião se liberar o ânus é errado... 

Logo, se deparar com Sandy, o arquétipo da menina pura e meiga que todo pai gostaria de ter em sua família, supostamente dizendo que gozar tomando atrás é algo possível, pode representar um marco. E por quê? Ora, a mulherada não gosta – ou finge não gostar – nem de tratar do assunto; quanto mais liberar o desejado. Se Sandy, a mulher modelo de uma sociedade dissimulada e hipócrita, resolve chutar o balde, poderemos assistir o nascimento de uma nova era: se até a Sandy dá, por que não dar? E o cu feminino finalmente reinará sem culpa.

Que venha o áudio de Playboy e a coisa seja realmente como se está dizendo: espero que a mulherada adira relaxadamente aos conselhos da boa moça.

domingo, 24 de julho de 2011

Descanso

Como outras carreiras do meio artístico, a dela foi igualmente avassaladora e breve. Uma pletora de talento circundada por uma existência perturbada que, como em outras ocasiões, tomou um atalho para o abismo ao encontrar-se no centro devorador de corações e mentes da indústria cultural: bajulações, facilidades, interesses, superficialidades. Apenas talento não é o suficiente para resistir à doença da autodestruição.

Aconteceu tudo conforme o script trágico do “destino” de diversas personalidades do universo da arte manda: a descoberta, a exposição, o sucesso, a pressão, o excesso, a entrega, o fim precoce. Ela tinha 27 anos e, coincidência ou “destino”, morreu com a mesma idade e da mesma forma trágica que tantos outros talentos erigidos à categoria de ídolos: Jim Morrison, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones e Kurt Cobain. 

Fosse eu adepto de teorias e conspiratas para além do plano físico, diria que há algo por trás de tudo isso. As letras que formam os nomes deles estão tão próximas que não se poderia fugir do funesto destino: B e C, J, K e M. Agora o A... Sem contar o mês de julho, fatal para Brian, Jim e ela. Mas não creio ser necessário mergulhar em hipóteses ocultas para compreender a desgraça responsável por tragar mais um talento da música sob a égide da cultura pop. 

A tragédia de Amy está ao nosso lado, às vezes dentro do nosso círculo familiar ou de relacionamentos. Aflige-nos por assistirmos, não raro impotentes, a derrocada de uma existência frágil que ilusoriamente descobre no excesso o remédio para sua infelicidade. Infelicidade esta que ignora status quando tem de aportar em corações, tragando espíritos e devorando vidas.

Amy Winehouse está morta. Ainda que não se saiba realmente se por overdose de drogas, certamente partiu por dose excessiva de infelicidade. Uma consciência atormentada por viver em um mundo cada vez menos real e mais exigente. Ignoro a existência de existência pós-morte. Não obstante, se nossas consciências puderem transpor o aparente limite do fim da vida, torço para que Amy possa encontrar descanso após essa passagem turbulenta pela vida.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Longe

Tempos sufocantes. Pressões, urgências, quase um reino da loucura! Respirar por esses dias parece ser algo cada vez mais difícil. Esta tal vida moderna me aborrece profundamente. Às vezes parece que somente há duas opções: ficar e aguardar a loucura reinar definitivamente ou ouvir o espírito misantropo e partir para o isolamento, tentando se salvar da doença social que se alastra.

Ainda descubro um meio de chegar naquele lugar distante, onde posso ter um encontro real comigo mesmo...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Da arte de se responder o que não foi perguntado

Buscando informações sobre um concurso que participei, envio o seguinte e-mail para a empresa aplicadora da prova:

De: Eduardo Alex Rodrigues [mailto:erodrigues@sefaz.es.gov.br]


Enviada em: terça-feira, 14 de junho de 2011 11:51

Para: atendimento@consulplan.com

Assunto: Resultado CESAN

Bom dia

Foi informado no jornal impresso A Tribuna, aqui do ES, que o resultado do concurso da CESAN seria divulgado ontem no site dessa empresa. No entanto, até o momento, não existe nenhuma alteração. A informação procede? Houve algum problema? Existe alguma outra previsão para o resultado?

Atte.

Eduardo Alex Rodrigues

Como resposta, recebo o que vai abaixo:

Prezado candidato,


É necessário acompanhar as publicações no site www.consulplan.net.

Atenciosamente,

Central de Atendimentos
(32) 3729-4700/3729-4714
http://www.consulplan.net/

Ora, acompanho o site diariamente. Não perguntei onde posso encontrar informações a respeito das etapas do concurso. Quis saber, tão somente, se a publicação da matéria na imprensa procedia. E, caso contrário, se a empresa tinha ou tem alguma previsão de anunciar o resultado.

A comunicação por essas bandas anda um tanto complicada. E certa turma do bonde nóis vai quer, no fundo, mandar as regras para Marte e deixar que reine o estilo Torre de Babel país afora, em prol da língua viva - como se a regra, por mais enfadonha que seja, fosse matar a língua...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mau gosto sem graça

Apesar do assunto já ter algumas semanas, deixo aqui o meu registro a la twitter: extremamente desagradável a piada do Rafinha Bastos sobre mulher feia que não deveria reclamar de estupro. Li a matéria sobre o humorista na Rolling Stone e fiquei decepcinado. Achava o cara sarcástico e, em certa medida, inteligente. No entanto, ao ler suas ideias sobre preconceito e humor, não vi nada além de um estilo boçal refletindo a boçalidade de uma sociedade boçal - uau!

Um cara que ajuda a apresentar um dos poucos programas que vale a pena - mesmo - a estadia em frente à tv - A Liga -, deveria optar por um estilo inteligente e sagaz para fazer humor. É possível fazer troça, por exemplo, com a polícia politicamente correta sem descambar à grosseria ou mesmo à barbárie. Rafinha Bastos ficou devendo.

Estranho mundo língua viva

Foram tantos os assuntos dos últimos meses, mas o tal do livro Por uma Vida Melhor, que ensina errado - conforme a imprensa -, adotado pelo MEC foi um dos assuntos mais em pauta ultimamente, continuando a render. Conservadores denunciaram um levante contra a norma culta; "progressistas" da língua devolveram dizendo tratar-se é de pura ignorância linguística da imprensa e preconceito gramatiqueiro.

Bem, aparando os excessos de ambas as partes, há de se buscar razões nas duas correntes. O livro aborda sobre as formas de expressão e de como estas podem ser diversas. Até aí tudo bem. Desde minha puberdade ouço falar nas diferenças entre a língua culta e a coloquial - se bem me recordo, aprendíamos até sobre os aspectos da linguagem poétca. Porém, nunca fui surpreendido pela professora ou professor de que, por mais viva que seja uma língua, poderíamos sair por aí no bonde dos nóis vai.

Gente, por mais que tenha linguista lembrando que os estudos sobre a língua é coisa antiga e tal, que não é uma herança lulesca, convenhamos: a abordagem do livro foi "sofrivi"! Numa realidade como a nossa, onde a juventude escreve e lê mal - e os alunos de escolas públicas acabam sofrendo mais com isto, graças à depredação do ensino -, você encontrando afirmações do tipo "não é erro dizer nóis fumo", é sentenciar grande parte da classe mais pobre e privado de ensino decente à ignorância.

E não adiante dizer que logo em seguida o livro ensina a forma culta; quem conhece a juventude sufocada pela falta de educação, sabe que eles pouco levarão em conta tal apreciação. Importante será justificar a falta de jeito com a língua mãe apelando ao livro que diz não ser erro "nóis fumo". Faltou jeito - e muito - por parte dos responsáveis pela autoria do livro em tratar o assunto.

Particularmente, acho certas regras da nossa língua um pé no saco, que mais servem para complicar nossa vida do que ajudá-la. Certos aspectos parecem mesmo ser excesso de preciosismo por parte de tarados cultos. Mas não dá para ignorar que a norma se faz necesária. Se formos levar em consideraçao algumas opiniões de linguistas, melhor seria chutar a gramática e vivermos felizes numa babel de dialetos. Tenho a impressão que iamu se fuma...

Tempo comprimido

Ah, dias de cobrança, pressa, urgência. Confesso ainda não entender como pudemos ter chegado nesse estágio maluco de nossa existência, onde tudo é para ontem. Até mesmo o prazer. Bem, ainda assim paro e registro minhas impressões sobre esses dias estranhos...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Filósofo se revolta com cala boca de Obama


O filósofo Olavo de Carvalho está irado com Barack Obama. Na verdade, deve estar salivando. Olavo praticamente apostou que o presidente norte americano não tinha certidão de nascimento autêntica para apresentar durante as disputas pela presidência dos EUA, embarcando na tese de que Barack não era nascido no país e por isto não poderia ser presidente.

Bem, Obama apresentou a tal certidão dia desses. Os tarados da possibilidade de “quenianismo” do presidente dos EUA ficaram sem chão. Até a nova investida de Olavo, o incansável caçador de comunistas. Agora, segundo o filósofo, o problema seria o local de nascimento do pai de Barack Obama. Com o progenitor nascido no Quênia, Obama igualmente não poderia ser eleito conforme a constituição norte americana. E lá se vai mais uma novela.

Olavo deveria parar de assanhamento na terra do Obama e dedicar-se à filosofia, o que parece fazer bem. Seus arroubos anticomunistas ainda o matam de desgosto.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Acertaram o Osama?

É o que estão noticiando. Há pouco o presidente dos EUA Barack Obama confirmou que o terrorista Osama Bin Laden foi morto por militares norte americanos em território paquistanês. Confirmando-se a noticia - leia-se: após vermos o cadáver -, Osama pode significar uma salvação para a reeleição de Obama, que anda meio desacreditado após toda esperança e simbolismo de sua vitória.

sábado, 30 de abril de 2011

Ufa! Até que enfim casaram!!!

Já não aguentava mais o pé nos bagos com essa história de casamento real. Nas últimas semanas, a tal união do príncipe William e a agora princesa Kate quase que tomou de assalto os noticiários. Era na net, nos jornais e nas revistas. Não se podia buscar informação sem se deparar com o tal grande acontecimento do ano. Eu apenas me aborreci em ter que ficar a todo momento lendo sobre uma bobagem de casamento que ganha tanta notoriedade só pelo fato da mídia - e dos trouxas que a sustentam - salivar por espetacularização de tudo o quanto acontece no planeta. Por mais insignificante que seja.

Casamentos, real, plebeu, pobre, rico acontecem a todo momento. Importa a quem casa e aos seus. E só. Se estivéssemos vivendo um mundo menos ávido por fofocas e outras futilidades, deixaríamos o casamento da família real para a família real. Afinal, quantas outras famílias reais - e elas existem - têm suas cerimônias expostas a ponto de ocupar as capas das principais revistas semanais de um país, como aconteceu por aqui na Veja, na Istoé e na Época?

Para finalizar melancolicamente, foi duro assistir há pouco a Arnaldo Jabor comentando o grande acontecimento como se fosse um Nelson Rubens ou Leão Lobo pedante. Ah!, que se foda a tradição!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Um pouco de lucidez em meio ao turbilhão emotivo

Ainda estamos todos perplexos e abalados após a selvageria perpetrada por um desequilibrado numa escola do Rio de Janeiro. Porém, é preciso mirar no equilíbrio e na razão para não deixar os mais diversos debates tomarem rumos de pura emoção ou serem eivados por idelogias. Pior: controlar a emoção para que certas reações que se querem legítimas não descambem para simples selvageria, aproximando-se, assim, do objeto de repulsa - atacar e depredar a casa dos parentes do assassino é algo justo?

Desse modo, muito me anima ler um artigo, que reproduzo abaixo, de autoria do sociólogo e colunista do Terra Magazine Edmilson Lopes Júnior acerca do ocorrido e do mercado de armas. Afinal, os salvadores do planeta - e aí incluem-se Rede Globo, Sarney, muitos petistas, etc -, diante da tragédia de Realengo, já encontraram um culpado: o mercado de armas. Nem quiseram colocar em profundidade o debate sobre a segurança nas escolas, a violência da juventude, o combate ao mercado ilegal de armas, entre outros pontos mais urgentes - e que pesariam muito na conta de políticos. Preferiu-se a facilidade de culpar o comércio legal das armas e jogar à culpa nas costas de quem votou a favor deste.

Não vou entrar em detalhes sobre o que eu acho ou deixo de achar sobre o comércio de armas. Por mim, elas somente estariam nas mãos das forças armadas para a defesa de nosso território. Mas a realidade é muito mais dura e cruel do que o meu desejo utópico. Logo, não acredito que simplesmente proibir a venda de armas aos cidadãos seja o ponto principal para combatermos essa violência que parece incrustar-se cada vez mais em nossa cultura. Segue o artigo.

O massacre de Realengo e o mercado de armas

O massacre de crianças em uma escola no Rio de Janeiro fez erodir muitas de nossas certezas e convicções. Dentre estas, a idéia de que essas tragédias eram ocorrências de outros países, não do nosso. Diante de situações idênticas, ocorridas nos Estados Unidos, por exemplo, reagíamos com uma indisfarçável superioridade: entre nós, dizíamos, esse tipo de coisa não teria lugar. Na quinta-feira, em meio ao sofrimento e a sensação de impotência, descobrimo-nos tão vulneráveis quanto americanos, chineses ou europeus, quando tragados por acontecimentos assemelhados.


Na busca inútil em compreender o incompreensível e em fornecer sentido ao que destituído de sentido é, alimentamo-nos das explicações sem convicção e pouco convincentes dos especialistas do plantão. Se a história do assassino parece oferecer referentes e ocorrências que corroborem a elaboração de um perfil psicológico singular (um psicopata), os sofrimentos derivados do enfrentamento, na adolescência, do bulliyng escolar não sustentam uma explicação mais substantiva sobre a tragédia que se abateu sobre Realengo. Angustiados, perguntamo-nos, assim como pais, parentes e amigos das crianças cujas vidas foram tão brutalmente arrancadas: por quê? A ausência de respostas provoca desorientação. Queremos algo em que nos agarrar para evitar que o mal se repita.

Alguns políticos, atentos à necessidade de mostrar que "algo está sendo", trazem novamente à baila a discussão sobre a proibição do comércio de armas. Há meia década, a mesma sociedade que hoje lamenta a tragédia optou, em plebiscito, contra a ilegalidade desse negócio. É óbvio que uma questão como essa deve estar sempre em discussão, especialmente em um país que ainda detém uma das mais altas taxas de homicídios de mundo. E esses homicídios resultam do porte de armas de fogo pelos assassinos, sabemos todos. Mas reavivar esse debate ajuda-nos muito pouco nessa hora. Ora, não como negar que, mesmo que fosse ilegal o comércio de armas, o assassino de Realengo não teria tido dificuldades em adquirir as suas armas.

O debate fundamental, e sobre o qual políticos e gestores de segurança têm, sim, muito a dizer, é aquele a respeito do mercado ilegal de armas. Irmão siamês do tráfico de drogas, o tráfico de armas estrutura-se em nichos e hierarquias delimitadas. Funciona também em uma zona gris de quase legalidade, com certa legitimidade social. A punição severa, já prevista em lei, dificilmente atinge os atores desse mercado. Em conseqüência, em todos os recantos do país, conseguir uma arma ilegal é coisa das mais triviais.

É tão grande a condescendência social para com o comércio ilegal de armas no Brasil que é possível mesmo identificar certa moralidade subjacente às suas transações: as armas aí negociadas serviriam para a proteção das pessoas. Foi esse o discurso esfarrapado produzido pelos intermediadores da compra das armas utilizadas pelo assassino de Realengo. Obviamente, como sói ocorrer em outros mercados ilegais, as elaborações justificadoras das ações, por mais destituídas de crédito que essas sejam, sempre dizem algo sobre o entorno social que as consome. No caso, a idéia de que proteção pessoal se conjuga com porte de armas. Na prática, a coisa se passa de forma bem diferente: as armas negociadas nesse comércio alimentam uma espiral de crimes.

A facilidade com que jovens e adolescentes conseguem adquirir uma arma no Brasil é estarrecedora. Um orientando, envolvido em uma pesquisa a respeito dos atores da violência na Zona Norte de Natal, com base nas entrevistas realizadas com jovens e adolescentes com algum envolvimento em atividades delituosas, pode comprovar o quanto era banal, quase natural, para os seus interlocutores, o ato de aquisição de uma arma.

Mais do que alimentar uma discussão ideológica, propícia à produção discursiva demagógica e inócua, a respeito da proibição do comércio legal de armas, a tragédia de Realengo deve nos levar a classificar como hediondo e socialmente inaceitável o criminoso mercado ilegal de armas que funciona quase abertamente de norte a sul deste país. Fazer valer as leis já existentes a respeito da matéria, nesse sentido, seria um bom começo.

Edmilson Lopes Júnior é professor de sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Fale com Edmilson Lopes Júnior: edmilsonlopesjr@terra.com.br


 http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5068443-EI17080,00-O+massacre+de+Realengo+e+o+mercado+de+armas.html

terça-feira, 5 de abril de 2011

Próxima sexta estreia programa que Boçalnaro não vai gostar

Bem, próxima sexta-feira inicia o programa global “Macho Man”, no qual um gay se torna ex-gay após um incidente – cruzou com Bolsonaro e tomou uma surra de cinto? Será que o grande deputado Boçalnaro vai cobrir de porrada se pegar alguém em sua casa assistindo o referido?