Foram tantos os assuntos dos últimos meses, mas o tal do livro Por uma Vida Melhor, que ensina errado - conforme a imprensa -, adotado pelo MEC foi um dos assuntos mais em pauta ultimamente, continuando a render. Conservadores denunciaram um levante contra a norma culta; "progressistas" da língua devolveram dizendo tratar-se é de pura ignorância linguística da imprensa e preconceito gramatiqueiro.
Bem, aparando os excessos de ambas as partes, há de se buscar razões nas duas correntes. O livro aborda sobre as formas de expressão e de como estas podem ser diversas. Até aí tudo bem. Desde minha puberdade ouço falar nas diferenças entre a língua culta e a coloquial - se bem me recordo, aprendíamos até sobre os aspectos da linguagem poétca. Porém, nunca fui surpreendido pela professora ou professor de que, por mais viva que seja uma língua, poderíamos sair por aí no bonde dos nóis vai.
Gente, por mais que tenha linguista lembrando que os estudos sobre a língua é coisa antiga e tal, que não é uma herança lulesca, convenhamos: a abordagem do livro foi "sofrivi"! Numa realidade como a nossa, onde a juventude escreve e lê mal - e os alunos de escolas públicas acabam sofrendo mais com isto, graças à depredação do ensino -, você encontrando afirmações do tipo "não é erro dizer nóis fumo", é sentenciar grande parte da classe mais pobre e privado de ensino decente à ignorância.
E não adiante dizer que logo em seguida o livro ensina a forma culta; quem conhece a juventude sufocada pela falta de educação, sabe que eles pouco levarão em conta tal apreciação. Importante será justificar a falta de jeito com a língua mãe apelando ao livro que diz não ser erro "nóis fumo". Faltou jeito - e muito - por parte dos responsáveis pela autoria do livro em tratar o assunto.
Particularmente, acho certas regras da nossa língua um pé no saco, que mais servem para complicar nossa vida do que ajudá-la. Certos aspectos parecem mesmo ser excesso de preciosismo por parte de tarados cultos. Mas não dá para ignorar que a norma se faz necesária. Se formos levar em consideraçao algumas opiniões de linguistas, melhor seria chutar a gramática e vivermos felizes numa babel de dialetos. Tenho a impressão que iamu se fuma...
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