quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Que venha 2010!

Daqui a pouco novo ano e antigos desafios ainda estão aí para serem superados - além dos novos, por surgir. Eu estou pronto para a guerra? E você?

Estou chegando 2010!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O Brasil e o vício do jeitinho

Leio no Terra Magazine um artigo muito bom sobre o péssimo hábito do brasileiro em não respeitar o direito do próximo. É a mania de sempre querer achar um jeitinho de se resolver os próprios problemas sem importar-se com os problemas dos outros. Se consigo solucionar os meus, ainda que burlando as normas e deixando quem por direito deveria ter os seus resolvidos primeiros, é o que importa. Cidadania e respeito para quê?

Há muito tempo venho notando no dia a dia a falta do mínimo respeito que temos entre nós. Fila? Para quê respeitar? Seguir os trâmites burocráticos como todos os outros cidadãos por quê? Tenho um amigo de um conhecido de um primo que resolve. Azar de quem não tem! Alguns parecem demonstrar prazer em estar sempre em vantagem usando de subterfúgios.

E o vício é tão disseminado que mesmo gente como eu, que percebe esse péssimo hábito no dia a dia, às vezes se flagra aderindo-o, ao aceitar o convite de amigos ou conhecidos para “adiantar-se” na resolução de burocracias rotineiras. Porém, se não lutarmos primeiramente com nós mesmos contra essa praga que mina o exercício básico numa cidadania – o respeito –, chegaremos ao primeiro mundo econômico, sendo uma nação de última nas relações sociais.

Segue trecho do artigo de Daniel Annenberg e o link para lê-lo na íntegra.


Algumas considerações de final de ano

Daniel Annenberg
De São Paulo

...

Algumas vezes tenho extrema dificuldade para entender o ser humano...
Em outras, me sinto demasiadamente humano e percebo como é difícil conciliar os nossos interesses e desejos pessoais com uma concepção mais justa e mais ética do que devemos fazer.

Por exemplo, quando estamos morrendo de pressa para sermos atendidos em algum órgão público e abre-se uma brecha para passarmos na frente de outras pessoas, mesmo quando estas pessoas não percebem esta situação, não nos sentimos tentados a "furar a fila", passando por cima de nossos conceitos éticos de que isso é errado?
Com certeza, isso já ocorreu com quase todo mundo. Porém, porque algumas pessoas se utilizam deste subterfúgio e outras não?

Em outras situações, quando somos tratados de uma forma especial num atendimento público ou mesmo privado, por qualquer motivo que seja, não nos sentimos felizes e em geral não tentamos prolongar ao máximo situações como estas?

Ou ainda, quando estamos querendo agradar a uma nova namorada ou estamos com um bando de amigos, se aparece uma oportunidade para demonstrar que somos diferentes e/ou importantes, ou seja, lá o nome que se dá a isso, muitas vezes, não vamos contra os nossos princípios só para agradar aos outros?

Qual o limite para a forma como nos comportamos em sociedade?

Não são questões fáceis de serem respondidas e vocês devem estar pensando que estou trilhando um caminho estranho demais nesta coluna...

É que para mim, viver em sociedade, viver em comunidade tem a ver com respeitar o outro e em saber que determinadas atitudes não devem e não podem ser tomadas se queremos também ser respeitados.

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4179642-EI14214,00-Algumas+consideracoes+de+final+de+ano.html

Os blogs e a propaganda política fora de hora

Chega até ser divertido ver dois dos principais blogueiros políticos do país denunciando a propaganda política antecipada para presidente. Cada um à sua maneira apresenta ao público o que deveria ser crime eleitoral, mas no Brasil, graças às sutilezas e à leniência, não comove ninguém. Nem as autoridades.

Reinaldo Azevedo, com o ímpeto e a acidez característicos, acusa o governo petista de se apoderar da Caixa Econômica para fazer propaganda oficial e, por conseqüência, eleitoral. O articulista, goste-se ou não do seu estilo, tem razão. A peça nacionalista, exaltando a conquista do pré-sal e as Olimpíadas no Brasil em 2016, não tem como fugir do apelo eleitoral. Qualquer cidadão comum, simpatizante do governo, associará as conquistas a Lula. E o esforço do presidente é apenas um: transferir sua popularidade e o êxito de sua administração para Dilma, candidata petista à presidência. Se terá sucesso ou não, saberemos em breve.

De outro lado, quase ao mesmo tempo, Luis Nassif reproduzia em seu blog notícia da Folha de São Paulo sobre o avanço do governo paulista, capitaneado pelo até então “relutante” candidato tucano à presidência, José Serra, valendo-se dos mesmos subterfúgios de exaltar suas realizações para igualmente fazer propaganda eleitoral fora de época. Por acaso, vi as duas propagandas enquanto escrevia. No caso do governo paulista, que “curiosamente” tem propaganda transmitida no estado do Espírito Santo justamente quando as eleições 2010 se aproximam, o tucano optou até por enaltecer o Rodoanel, talvez já esperando pela amnésia dos eleitores sobre a queda das vigas. Enquanto isso, laudo aponta falhas na execução do assentamento das vigas. Mais de 300 iguais a ela estão espalhadas pelo Rodoanel...

Curioso, para ser eufemístico, é que o exercício de divulgação da afronta às leis eleitorais encontra limites aparentemente programados. Os blogueiros são céleres em apontar os pecados do principal adversário, enquanto parecem perdoar taciturnamente as falhas do seu candidato preferido. E assim os pecados se propagam.


O presidente e sua língua incontrolável

A língua do presidente Lula anda mesmo descontrolada. Parece que o poderoso chefão resolveu mesmo entrar em sua particular campanha eleitoral antes da época e transforma tudo em comício. A última de Lula foi comparar involuntariamente o povo aos porcos.

Como pode-se ver no link apontado, tem gente como Paulo Henrique Amorim que delira com mais uma metáfora de boteco da majestade. Vai ver que ele é chegado a uma porcaria, pois inventou a tal sigla do PIG para denunciar a grande imprensa e seus vícios, mesmo fazendo parte dela.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Quase dançamos

O Blogger deixou a galera na mão. Desde a noite de 23.12.2009 ficou fora do ar, retornando ontem à noite, creio eu. Vai ver foi o espírito natalino contra os espíritos de porco, como eu, que invadem a rede, hehehehe.

Mas estamos aí na atividade.

Esta não é mais uma mensagem de natal

Sempre com a aproximação do natal, um sentimento de solidariedade toma conta de boa parte dos espíritos. Campanhas, iniciativas individuais e outras coisas vão surgindo. Tudo em prol da magia natalina. Alguns vivem a falsa sensação de que, ao menos por um segundo, no mundo reina a bondade. Mas a realidade é implacável.

À medida que o natal se aproxima e as tragédias individuais vão sendo anunciadas em nossa imprensa ou simplesmente se materializam ante nossos olhos ou chegam como prenúncio de um apocalipse nunca realizado, fico a imaginar: bem que esse tal espírito natalino poderia reinar verdadeiramente o ano todo. São desastres e mais desastres e fico a me perguntar onde está Deus.

Enquanto alguns ocidentais comemorarão mais um momento fugaz de alegria, outros chorarão por suas tragédias particulares. É a família de um policial morto em mais uma operação desastrada, bem como, provavelmente, os parentes do bandido, que não imaginaram futuro tão desgraçado para um dos seus. São os amigos e familiares da mulher que, num momento de desespero, para tentar mais uma vez, em vão, salvar a pele de sua cria, engole 60 pedras de crack.

Ou então o vazio e a dor profunda do marido, que num misto de jogada sórdida do destino com a pouca competência das autoridades, perdeu sua esposa ao rodar no asfalto molhado com um automóvel, invadir a calçada, encontrar uma proteção insuficiente e terminar no fundo do mar. O natal para ele e seus familiares nada terá de mágico.

Gostaria de celebrar em toda a plenitude o nascimento do tal salvador da humanidade em mais um 25 de dezembro. Porém, fica difícil. Os filhos de seu Pai continuam sofrendo, entregues à própria sorte, num mundo onde o real perdão inexiste e a alegria serve apenas para maquiar temporariamente nossas agruras.

Que cada um possa tentar sentir-se feliz como puder no natal. Mas que nunca se esqueça que o mundo sangra ininterruptamente. Mesmo no dia do nascimento de seu suposto salvador.

Dinheiro (a)paga vexame?

Estava tranquilo em meu computador, selecionando algumas músicas para ouvir na tarde da véspera do Natal. Minha esposa, em meio aos afazeres diversos, assistia a TV. Logo após terminar o programa “A Fazenda”, ela inicia a inevitável troca de canais. Caiu no SBT e de repente ouço alguém “interpretando” uma velha canção do Rod Stewart.

Soava estranha aos meus ouvidos, mas imaginava ser mais um daqueles figuras que surgem nesses programas de fabricação de “ídolos” de churrascaria, que acham que agradam mesmo no karaokê. Ainda estava entretido com minhas músicas no PC. Quando não resisti mais ouvir aquela experimentação brega da canção de Stewart, olhei para a TV. E vi o autor do atentado: Roberto Justus! O empreendedor milionário pop star. Putz! Lembrei então que ele, muito provavelmente por estar entediado de tanto ganhar dinheiro, tinha resolvido ser cantor tempos atrás. O troço foi tão bizarro, que na ocasião mereceu matéria no Pânico na TV.

Como quem está no fogo é para se molhar, não pedi a minha esposa – que ficou tão abismada quanto eu – para mudar de canal. Queria ver até onde ia a pagação milionária de mico. Justus convidou então o tenor Aguinaldo Rayol para interpretar uma música de Frank Sinatra junto com ele. É chocante a experiência! Porra!, Justus é ruim demais! Parece estar eternamente ante um karaokê! Rayol, ao terminar sua participação, rasgou elogios a Roberto. Poderia ter elogiado e tal, conforme o protocolo - que nos permiti mentir solenemente. Mas preferiu iludir Justus. Disse que ele era talento!!!

Após o show surreal, volta Roberto Justus solo – melhor ele sozinho; assim evitava o constrangimento face aos profissionais do ramo. E o próximo acinte foi com “Epitáfio”, dos Titãs. Desnecessário comentar. Acabou o primeiro bloco. Minha esposa achou por bem procurar outra coisa. Ficou com o fantástico “Pequena Miss Sunshine”, que rolava na Globo.

Coloquei-me a raciocinar: em tempos onde o dinheiro compra tudo, será que os vexames também podem ser pagos? Pois só isso justifica um empresário bem sucedido, apresentador de TV, não se contentar com os seus êxitos e levar ao ar um show bisonho, onde se apresenta como cantor – algo que definitivamente ele não é.

Mas logo no início deu para entender o porquê de empreitada tão ousada. Justus contava como começou suas experiências musicais. Num final de semana em seu paradisíaco sítio, junto com os amigos, cantava num karaokê. Entre os convidados estava Afonso Nigro, ex-cantor do improvável grupo Dominó, um absurdo Menudo brasileiro, que encantava as garotinhas nos anos 80, e que hoje se dedica à "produção" musical. Foi esta criatura que encorajou Roberto Justus a desbravar o mundo da música.

De duas, uma: ou o Afonso é um daqueles puxa-sacos únicos ou viu uma oportunidade ímpar de ganhar dinheiro e aparecer novamente na mídia, ainda que de relance.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Arnaldo Jabor, o “direitista”, defende Obama

Na guerra ideológica, muitas vezes cria-se alguns mitos que passam a ser tomados por verdade. Acusar esse ou aquele crítico de determinada posição, é um dos estratagemas.

Ontem, vendo o Jornal da Globo, ouço o colunista Arnaldo Jabor tecer elogios ao plano de Barack Obama com a finalidade de universalizar a saúde nos EUA. A fala de Jabor pode ser lida no site da Globo. O colunista desanca os adversários do presidente dos EUA, acusando-os de fanáticos e preconceituosos. Nada menos direitista...

Eu desconfio que a má vontade da esquerda brasileira para com Jabor advém de suas críticas severas ao petismo e ao estilo messiânico adotado por Lula, além do reconhecimento de algum mérito do governo FHC. No site do Luis Nassif hoje, por acaso, vejo-o fazendo um paralelo entre o ódio social que levou ao golpe em 64 e o que poderia ter levado ao golpe em 2006, segundo o articulista. Para Nassif, Jabor, entre outros, seria um dos exemplos perfeitos dos detentores do ódio social aliado ao apego incondicional ao neoliberalismo.

Na sessão de comentários escrevi ao Nassif que sua visão seria equivocada, ao que ele respondeu, e em seguida o solicitei que apresentasse alguns links desse ódio e apego sectário ao mercado de Jabor, para comprovar sua tese. Não respondeu.

Acho que atitudes como a de Nassif, influente articulista, apenas contribuem para mistificar o debate. Ao tentar impingir a alguém uma pecha devido a posições mais ácidas contra esse ou aquele político ou ideia, termina por contaminar os pensamentos, distorcendo a realidade.

Em tempo: para mim, Arnaldo esta mais para um “livre-atirador”, que pode errar o alvo às vezes, mas não está muito interessado em agradar os sectários. O problema do Jabor mesmo, para mim, é ele ficar preso a Rede Globo. Alguém como ele, deveria estar o mais livre para atirar contra todos os alvos possíveis. Duvido que ele engula certos lixos televisivos da sua emissora. Mas vai falar o quê?

Seria efeito colateral de uma tara anti-Lula?

Sou um dos poucos não alinhados que reconhece o valor de algumas coisas escritas por Reinaldo Azevedo, articulista anti-esquerda da revista Veja. Por mais ferrenho que possa ser em suas críticas, não há como negar sua capacidade de instigar a nossa esquerda a pensar – ao menos a não dogmática. Mas Reinaldo, em sua cruzada anti-tudo-do-lado-de-lá, parece vez ou outra ser acometido por efeitos colaterais proporcionados por suas convicções.

Contra Lula, então, Reinaldo parece sofrer quase uma tara aversiva, tamanho o seu empenho para desqualificar o pensamento ilustre (sic) de nosso presidente. Se para os fiéis lulistas tudo o que o Messias Operário diz se verte em luz, para “hereges”, como Azevedo, é justamente o contrário: as trevas tomam o lugar.

Em seu artigo de hoje, sobre mais uma daquelas falas toscas de Lula, Reinaldo faz um tratado para acusar o presidente de ver virtude na violência da ditadura militar. Não vejo desta forma.

Ora, quando Lula diz que cada choque tomado por seus companheiros valeu à pena para chegarmos até aqui, nada mais está fazendo que elogiar a suposta bravura e resistência ante a tirania, bem ao seu estilo. Apenas isto. Ao invés de prender-se a este ponto, Reinaldo prefere, uma vez mais, uma abordagem escandalosa: seria uma declaração tão absurda, que deveria ser a primeira no rol de tranqueiras ditas pelo presidente.

O que importa na fala de Lula, mesmo, é a sua visão simplista e rasa da realidade e dos fatos. Nenhum choque ou tortura valeu à pena pelo simples motivo de que a maioria esmagadora lutava por um sonho equivocado: o socialismo. Não existia compromisso visando à liberdade e a democracia. Os jovens guerrilheiros lutavam contra a ditadura militar desejando a ditadura que lhes convinha. Logo, dizer que valeu a pena lutar por isto é apenas mais um auto-engodo lulista – na verdade, da esquerda religiosa.

Se tivessem se levantado contra o mal tendo por finalidade a democracia e a liberdade, os choques não valeriam a pena? Não. Mas a luta e a resistência a eles, sim.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Nem a arruda inteira, a planta, salva Arruda, o político. E o DEM recebe o seu presente natalino

Segundo o misticismo popular, um galho de arruda serviria para espantar os espíritos maus ou a má sorte. Verdade ou não, fato é que o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, ex- DEM, não deve livrar seu pescoço nem morando numa floresta de arrudas. A cada dia, uma nova lambança envolvendo o seu nome.

No Folha online de hoje, o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal, Durval Barbosa, acusa o governador de ser responsável pela organização da planilha do pagamento de propina aos aliados. Apesar de Barbosa não apresentar provas, a acusação feita num depoimento ao Ministério Público Federal, tende a complicar ainda mais a situação de Arruda, o azarado.

Afinal, depois das imagens do governador e sua trupe recebendo dinheiro e saindo com ele nos lugares mais “distintos” como meias ou cuecas, além de orações de agradecimento a Deus após embolsarem de grana suja, não há muito que fazer. Pior foi a justificativa para o recebimento de R$ 50 mil: compra de panetone para os pobres.

Mesmo tendo se desligado do DEM, Arruda deixou o que chamo de capital político a ser explorado pelos adversários nas eleições do próximo ano contra seu ex-partido. Até pouco tempo atrás os demos tentavam posar de símbolos da justeza política – houve quem tenha acreditado, apesar da história demonstrar o contrário.

Depois do escândalo do panetone, envolvendo um político com uma administração bem avaliada e que dizia ser o seu limite a ética, “não dar mesada”, suspeito que os demos tenham ganhado um presente de grego. Ano que vem, nas eleições, não faltarão trocas de acusações entre a politicalha. Vai sobrar mensalão e faltar baluartes da ética.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Aécio desiste

Segundo consta na rede, Aécio Neves desistiu de sair candidato à presidência em 2010. Anunciará nas próximas horas a sua decisão. O cenário para as eleições no ano que vem, a confirmar o roteiro mais óbvio até o instante, deve contar com a disputa entre o tucano Serra e a petista Dilma como protagosnistas. O resto da trupe, com Marina e provavelmente Ciro, além de um ou outro candidato, deve ficar de coadjuvante - ao menos no 1º turno.

Qual fardo carregar: o Nosferatu de São Paulo ou a Dama de Ferro de Lula?

Um presidente blindado

Mesmo não sendo fã de Lula, não há como ignorar a capacidade do presidente de fazer orbitar em torno de si gente cada vez mais disposta a conservá-lo num pedestal. Na abertura da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), quem procura entender o alcance do poder de Lula sobre a massa teve um exemplo valioso relatado no Observatório da Imprensa.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, foi vaiado em diversos momentos durante sua apresentação. A plateia, composta em sua maioria por militantes e gente ligada a movimentos sociais chegou a entoar: "Ô Hélio Costa. Que papelão. O empresário é teu patrão". Quando o presidente Lula expôs sua fala, tudo se transformou. A tietagem explícita arrebatou o espírito dos presentes. E o presidente acabou aplaudido de pé.

Bem, o presidente é o “patrão” do ministro Hélio Costa. Este, por mais autonomia que possa ter, jamais poderá tomar uma decisão que vá de encontro à forma de como Lula entende ser necessária para conduzir as políticas relacionadas às comunicações. Logo, é espantoso como aqueles que estão comprometidos em transformar as relações midiáticas, se inflam para confrontar o ministro de um governo, ao mesmo tempo em que se mostram como cordeirinhos ante o chefe maior deste mesmo governo. Seria um distúrbio psicológico em massa?

Obama frustra seus fiéis

Barack Obama, até mesmo pelo ineditismo em torno de sua eleição, acabou sendo saudado como uma espécie de messias – para variar. O mundo se viu em transe e os incautos e sectários do paraíso na Terra, esquecendo-se de que Obama é antes de tudo norte americano, ou para ser politicamente correto, estadunidense, pensaram: agora vai! Bem, não está indo. Ao menos como os religiosos laicos imaginavam.

Antes de prosseguir, é importante registrar também acerca do outro lado: os conservadores apocalípticos. Para estes, Obama ou islamiza os EUA ou entrega aos comunistas. E Jesus, com pelo menos 2 mil de atraso, volta... Prossigo.

Obama, mal esquentou a cadeira na Casa Branca, venceu o Nobel da Paz. Fora escolhido por oferecer esperanças de dias melhores ao mundo por meio de sua diplomacia. Trata-se, obviamente, de uma política distinta do método Crazy Cowboy do Brusho Jr. Quer dizer, o método é distinto, sem a bronquice bushiana e com a retórica no ponto. A política de força continua, porém sem perder a ternura.

Nada de deixar o Iraque de súbito, para desespero dos fiéis. Conforme planejado, as tropas dos EUA saem de solo iraquiano em 2011. Quer dizer, isso se não surgir algum imprevisto, penso eu. Para o Afeganistão, Barack mandou mais 30.000 soldados. Tudo como parte da estratégia. Isto seria o suficiente para deixar clara a diferença entre o mito e o homem real. No entanto, ainda faltava o toque final. E ele veio durante a cerimônia de entrega do Nobel ao pacificador Obama.

Ao discursar durante a entrega do prêmio, o presidente norte americano deixou clara a necessidade de combater o mal emanado pelo terrorismo de grupos como o Al-Qaeda com a força. Seus fiéis devem ter entrado em parafuso. Obama, mergulhado em Maquiavel, mostrou aos seus incautos seguidores utópico-humanistas a dureza do mundo real. Foi um presente de grego natalino e tanto.

“Nossos” futuros médicos e cotas

Vejo um discurso recorrente para se desqualificar a política de cotas, pautado na ideia de que com ela, a qualidade profissional despencará. Não sou entusiasmado com as cotas. Vejo como algo para maquiar a realidade. Contudo, o discurso antagônico baseado no argumento acima é falacioso. Cientificamente, não existem indícios consistentes para afirmar que um aluno cotista se tornará um profissional ruim. Bem, deixo isso para outra oportunidade. Minha intenção aqui é outra.

Algumas notícias envolvendo estudantes de medicina causam preocupação. E eles não são cotistas. O Conselho Médico de São Paulo aplicou uma prova aos alunos do 6° ao último período. E o resultado não foi animador: mais da metade dos alunos não obtiveram nota satisfatória, tendo desempenho preocupante em áreas que deveriam justamente dominar.

Outra notícia que merece reflexão diz respeito ao caso de 03 alunos de medicina que agrediram um homem de 55 anos que ia para o trabalho em sua bicicleta. Os delinquentes aspirantes a médico acertaram o senhor com um tapete de carro enrolado e teriam gritado “seu negro”. Foram seguidos e dominados por cidadãos que viram a ação e afirmaram que os futuros médicos – que horror! – vibraram com o ocorrido.

Não há muito o que comentar sobre estas coisas. Temos é que nos preocupar bastante. Afinal, é esse tipo de gente que amanhã se forma médico e outros serão advogados, servidores públicos e outros profissionais responsáveis pelo bem estar da sociedade. E sem cotas...

Petista faz beicinho e diz não a São Lula

É um caso de estudo o comportamento dos sectários políticos. Prostram-se ante seus líderes idealizados, mesmo na hora da crítica. Dia desses leio que o deputado federal petista Domingos Dutra se negou a acompanhar Lula em uma comitiva pelo Maranhão. O motivo seria a companhia dos Sarney.

O deputado relembra os dias de luta contra forças políticas do atraso no Brasil, muito bem representadas por famílias como a dos Sarney e vê como impossível ele hoje dividir espaço com qualquer um deles. Lamenta que seu pobre santo, o Lula, tenha que abrir mão de sua santidade para conspurcar-se em alianças sórdidas visando à governabilidade.

Pobre deputado. É um mais um fiel dominado pelo carisma lulista que não se deu conta da natureza não só de Lula, como da forma de se praticar política por essas plagas.

Mais um capítulo

Neste novo blog, continuo a tarefa iniciada no www.esculacharepreciso.blogspot. Ou seja, observar o que acontece à minha volta, interpretar o fenômeno e externar sem compromisso com direita, esquerda, meio ou centro. Ir em direção ao mundo real é o que me importa. Sempre.

Além disso, coisas que me chamam a atenção nessa roda-viva serão registradas aqui. Apenas o que for relacionado a cultura pop terá um outro destino, conforme estou planejando para breve.

E vou seguindo caminhando, esculachando e sobrevivendo.