Vejo um discurso recorrente para se desqualificar a política de cotas, pautado na ideia de que com ela, a qualidade profissional despencará. Não sou entusiasmado com as cotas. Vejo como algo para maquiar a realidade. Contudo, o discurso antagônico baseado no argumento acima é falacioso. Cientificamente, não existem indícios consistentes para afirmar que um aluno cotista se tornará um profissional ruim. Bem, deixo isso para outra oportunidade. Minha intenção aqui é outra.
Algumas notícias envolvendo estudantes de medicina causam preocupação. E eles não são cotistas. O Conselho Médico de São Paulo aplicou uma prova aos alunos do 6° ao último período. E o resultado não foi animador: mais da metade dos alunos não obtiveram nota satisfatória, tendo desempenho preocupante em áreas que deveriam justamente dominar.
Outra notícia que merece reflexão diz respeito ao caso de 03 alunos de medicina que agrediram um homem de 55 anos que ia para o trabalho em sua bicicleta. Os delinquentes aspirantes a médico acertaram o senhor com um tapete de carro enrolado e teriam gritado “seu negro”. Foram seguidos e dominados por cidadãos que viram a ação e afirmaram que os futuros médicos – que horror! – vibraram com o ocorrido.
Não há muito o que comentar sobre estas coisas. Temos é que nos preocupar bastante. Afinal, é esse tipo de gente que amanhã se forma médico e outros serão advogados, servidores públicos e outros profissionais responsáveis pelo bem estar da sociedade. E sem cotas...

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