quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Obama frustra seus fiéis

Barack Obama, até mesmo pelo ineditismo em torno de sua eleição, acabou sendo saudado como uma espécie de messias – para variar. O mundo se viu em transe e os incautos e sectários do paraíso na Terra, esquecendo-se de que Obama é antes de tudo norte americano, ou para ser politicamente correto, estadunidense, pensaram: agora vai! Bem, não está indo. Ao menos como os religiosos laicos imaginavam.

Antes de prosseguir, é importante registrar também acerca do outro lado: os conservadores apocalípticos. Para estes, Obama ou islamiza os EUA ou entrega aos comunistas. E Jesus, com pelo menos 2 mil de atraso, volta... Prossigo.

Obama, mal esquentou a cadeira na Casa Branca, venceu o Nobel da Paz. Fora escolhido por oferecer esperanças de dias melhores ao mundo por meio de sua diplomacia. Trata-se, obviamente, de uma política distinta do método Crazy Cowboy do Brusho Jr. Quer dizer, o método é distinto, sem a bronquice bushiana e com a retórica no ponto. A política de força continua, porém sem perder a ternura.

Nada de deixar o Iraque de súbito, para desespero dos fiéis. Conforme planejado, as tropas dos EUA saem de solo iraquiano em 2011. Quer dizer, isso se não surgir algum imprevisto, penso eu. Para o Afeganistão, Barack mandou mais 30.000 soldados. Tudo como parte da estratégia. Isto seria o suficiente para deixar clara a diferença entre o mito e o homem real. No entanto, ainda faltava o toque final. E ele veio durante a cerimônia de entrega do Nobel ao pacificador Obama.

Ao discursar durante a entrega do prêmio, o presidente norte americano deixou clara a necessidade de combater o mal emanado pelo terrorismo de grupos como o Al-Qaeda com a força. Seus fiéis devem ter entrado em parafuso. Obama, mergulhado em Maquiavel, mostrou aos seus incautos seguidores utópico-humanistas a dureza do mundo real. Foi um presente de grego natalino e tanto.

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