Gosto, dizem, não se discute. Bem , pode-se não discutir, mas comentar é inevitável. O tucano Nosfer..., digo, José Serra, aninhou sob as asas de sua candidatura Roberto Jefferson e seu PTB. O mr. Mensalão anunciou seu apoio a Serra.
Bom, se estourar “bomba” num hipotético governo tucano, não vai dar para dizer que não sabia; o histórico de Jefferson não permite surpresas de tal natureza.
Eu bem que tento. Afinal, além da falta de tempo, não desejo carregar a pecha de reacionário entre os amigos “progressistas”. Porém, o presidente Lula não permite. Ele sempre produz bravatas, quando não meras patranhas, quando está com a plateia a favor – ou seja, quase sempre. Nos últimos dias foram algumas boas.
Ao mesmo tempo em que alguns especialistas e muitos bajuladores viam como mais uma grande jogada sua o fechamento do acordo de troca de urânio do Irã por material nuclear turco, por aqui as coisas não pararam.
O fim ou a continuação do fator previdenciário está na ordem do dia. O governo Lula e o PT, que já foram contra o tal fator, instituído pelo presidente sociólogo FHC, são contra. O que antes era mais um avanço neoliberal do tucanato sobre o Brasil, hoje tornou-se questão de bom senso para manter as contas equilibradas. Mais uma vez, Lula mostra a lógica pura lulista que tanto encanta o mundo.
A outra do reizinho, que ainda vira reizão do mundo, saiu de Brasília hoje, durante uma solenidade de lançamento da tv Brasil internacional. Segundo o presidente, a TV Brasil, que começará sendo transmitida para 49 países africanos, servirá para mostrar o lado bom do país. Para Lula, a TV mostrará o país como ele é – muito provavelmente um paraíso...
Algumas palavras da majestade barbuda em seu discurso, que pode ser lido na íntegra num link fornecido na página indicada acima:
“Essa TV pública, ela pretende ser a cara do Brasil no exterior, porque se eu pudesse medir a qualidade do que tem até hoje, Tereza, parece que quando nós fazemos as coisas lá para fora, nós colocamos apenas os piores momentos. Vocês já viram os piores momentos na vida de algum de nós? Já viram numa partida de futebol, os piores momentos? Numa campanha política, os piores momentos? Então, nós não queremos que fique lá fora a imagem dos piores momentos deste país. Nós queremos que fique lá fora a imagem do que nós somos, como somos e por que somos assim.”
Tá, presidente. É interessante poder mostrar as potencialidades do Brasil e tal. Mas a vida real não é futebol. Piores momentos no esporte não resultam em morte, sofrimento para o povo. Piores momentos em campanha política não existem. Afinal, não raro é um momento ruim só: muitas promessas que não serão cumpridas e, normalmente, uma supervalorização do que já foi feito, quase nunca em consonância com a realidade
“E, depois, aquele negócio: “Mas isso aí é uma televisão para falar bem do Lula. É uma televisão...” Eu estou num momento da minha vida que quanto mais mal de mim eles falam, melhor para mim. Porque quando se mente demais, as pessoas descobrem que é mentira.”
É verdade. Quando se mente demais a verdade pode vir a tona. Como aconteceu com um certo presidente que dizia não saber de um tal mensalão antes do estouro do escândalo, que não tinha conversado com o ex-deputado Roberto Jefferson sobre o assunto, e que este ano disse à Justiça Federal justamente o contrário.
“De qualquer forma, eu reclamava muito com o Franklin, eu falava: “Rapaz, você, desse tamanho, está aqui e não me consegue fazer minha televisão internacional.” Eu fiz uma televisão, e eu estou saindo daqui a sete meses, portanto, talvez eu nem veja a integração total e absoluta da nossa televisão.”
Minha TV... Ele ainda vira rei...
Por fim, no mundo encantado de Lula, não cabem reportagens com estas, da Rede Record:
Leio no site do Azenha: “O cientista político Emir Sader é um dos principais pensadores da política de esquerda no Brasil.” Pensador?!?!?!?! Desde que li sobre a proeza de Sader numa orelha de livro, perdi as esperanças nele – não que tivesse muitas. Depois disso, ele deu diversos exemplos de que de acadêmico e intelectual ele não tem nada. É militante professor. E isto não é uma boa coisa.
Emir é um exemplo cristalino do que a ideologia pode fazer com a mente de uma pessoa. Lastimável é que alcance o patamar de “prefessor” e (de)formador de opinião.
Mais um capítulo da eterna guerra blogueira. Rodrigo Vianna escreveu sobre o “zelo” das revistas Época e Veja em falar de corrupção que poderia conspurcar, de alguma forma, o protegido delas José Serra. Em meio às hipóteses que poderiam servir de incentivo para veículos da grande imprensa ser cheia de dedos com assuntos que envolveriam protegidos políticos, Vianna cita Reinaldo Azevedo. Ele, claro, não gostou. E mandou ver.
Ao que parece, Rodrigo se empolgou com o nome de Azevedo num dos relatórios da PF e achou que poderia comprovar mais uma vez as relações espúrias da grande imprensa e seus políticos prediletos. Bem, pelo que Reinaldo demonstrou, ele deu desperdiçou munição. E agora vai ter de se explicar na justiça.
Volta e meia, baluartes da imprensa alternativa se metem em encrencas parecidas. Acusam figuras da grande imprensa e depois não sustentam com provas o que expuseram. Fica a impressão de que, na ânsia de provar as falcatruas da grande mídia, crêem valer tudo. Acabam sendo similares ao que criticam.
Eu poderia ser um cara extremamente revoltado com a polícia. Em 1989 marginais de farda assassinaram covardemente meu tio, que voltava de uma boate. Seu crime foi estar passando por um lugar de madrugada, onde a polícia cruzou com um bandido, que fugiu, e ele terminou por pagar o pato pela frustrada investida. Eram monstros com sede de sangue. O espancaram, o feriram, o levaram até a casa de minha vó, com vida e o levaram em uma viatura. No dia seguinte, entregaram mais um cadáver de um “resistente” à prisão. Clássico...
Ainda assim, respeito o trabalho da polícia. Ao menos a que trabalha dentro da lei. Conheço e tenho amigos policiais e sei das dificuldades da profissão. No entanto, o autoritarismo, o instinto assassino que paira sobre a corporação no Brasil e “toma” a mente de muitos de seus integrantes me desagrada. Me enoja. Todos os dias temos conhecimento de casos de abusos de policiais, que não raro terminam em tragédia. No último fim de semana não foi diferente. Policiais militares de São Paulo assassinaram um motoboy por espancamento, após uma suposta resistência à prisão.
É apenas mais um dos milhares de exemplos da deficiência de uma polícia que se vale da violência para combater a violência. Até quando? Não advogo por uma corporação apática. Os policiais devem agir energicamente, quando assim for necessário. Contudo, isso não implica covardia e barbárie. A força deve ser exercida com inteligência e não com a finalidade de abater quem é submetido.
Falta uma formação que vise uma polícia cidadã, que saiba exercer o seu poder dentro da legalidade e de forma humana. A selvageria não pode estar instaurada dentro de uma instituição que visa proteger e servir a sociedade.
Reinaldo Azevedo, que vive dizendo que o que não falta é petista aparelhando a grande imprensa, diz em seu blog que José Serra escolheu Márcio Aith, ex-colega de trabalho na Veja e que atuava ultimamente na Folha de São Paulo, para comandar a imprensa em sua campanha.
A “resistência” tucana também mostra as asinhas...