domingo, 21 de agosto de 2011

Estranho modo de não ser racista


Costumo ler o blog do jornalista Janer Cristaldo. Seu estilo direto ao tratar de assuntos polêmicos me chama atenção. Até mesmo já troquei algumas mensagens com ele a partir de uns comentários feitos por mim acerca de alguns artigos seus. Contudo, nunca ficou muito clara para mim a sua postura sobre assuntos como o racismo e xenofobia. Cristaldo, não só uma vez, já tentou explicar sua posição (o artigo Armadilha para negros disponível aqui, é um exemplo), porém, parece nunca ter deixado transparente se realmente tem ou não algo contra negros.

E por que faço disso objeto de análise? Porque volta e meia Janer expõe sua opinião sobre raças e imigrantes na Europa de maneira que as palavras e o tratamento que as dá ficariam muito bem na boca da malta racista e xenófoba. Recentemente, ao discorrer sobre o número de estupros na Suécia, lembrou de uma estatística que mostrava o país em 2° lugar na prática destes crimes sexuais e que grande parte dos seus autores são imigrantes árabes e africanos, algo não noticiado. 

Por fim, ao comentar a morte de uma jovem sueca – defensora do multiculturalismo – por um imigrante negro, se mostrou chocado por ter tido acesso a um “vídeo abominável” no qual a mesma jovem sueca assassinada simulava um ato sexual com um negro em prol da diversidade e cantando o hino de sua terra natal. Ora, o vídeo revelou-se repulsivo ao jornalista por insinuar um ato sexual entre uma branca e um negro, ao som do hino da Suécia ou por que Janer, um libertino assumido, se mostra um patriota sensível com as terras alheias? 

Cristaldo, por mais que pareça ser um homem de grande bagagem intelectual, não cansa de dar exemplo de alma tacanha e mesquinha. Ainda tem a mente presa a ideias de alta e baixa cultura. Vê o mundo como um grande achado do homem branco, sendo que outras etnias não teriam sido capazes de dar contribuição à dita civilização. Acaba por enquadrar-se em tipos como este, que vê na Europa – melhor: os países de 1° mundo da Europa – uma terra invadida por bárbaros.

Claro, todo país deve ter uma política que controle de maneira mais adequada a passagem de estrangeiros por suas fronteiras. E mais: ao acolhê-los, demonstre que as regras para os nativos são regras para aqueles que desejam ali viver. No entanto, ao tratar imigrantes, principalmente os advindos dos países pobres, como feras é lastimável. Alimenta o ódio dos espíritos medíocres e influencia as mentes rasas, que enxergarão naquele que foge de seu padrão étnico como um inimigo a ser combatido – e abatido. Sempre. 

Creio que Janer, ao opor-se a exageros de certos espíritos politicamente corretos, escolheu como trincheira a vala abominável do preconceito – ainda que supostamente não queira.