Uma rápida parada nas obrigações que me afastam dos meus registros para a posteridade, hehehe.
Já estamos sendo inundados pelas propagandas falsamente gratuitas eleitorais - ao menos a oficial; a propaganda clandestina já acontece há tempos. Ocupam as rádios e as tvs ao menos duas vezes por dia por quase toda semana. É um desfile de obviedades, pieguismos, patifarias e ilusionismos bem característico da política brasileira. Sempre tem algo a comentar. Guardei dois momentos.
Passando pela sala, de repente ouço algo familiar. Lembrava a propaganda do Mastercard, que sai mostrando preço de tudo o que se pode comprar com o cartão de crédito para terminar em algo que não tem preço. Quando olho para a TV, uma figura caricata parecendo José Serra simulando troca de golpes de boxe num ringue com outra caricatura de Dilma Rousseff. Enquanto isso um locutor informava o preço de suas campanhas. Eis que surge, de súbito, um braço franzino que acerta em cheio o cara de Serra e na sequência a cara de Dilma. Em seguida levanta os braços comemorando a vitória e o locutor dizendo algo do tipo: candidatura financiada pelo povo, não tem preço. Era uma propaganda do PSOL. Logo pensei: é, até o velhinho comunista maluquinho se mostra flexível, buscando inspiração em símbolos do capitalismo que ele jurou derrotar...
Outra coisa que me chamou a atenção, e essa eu ainda não vi, foi ter lido sobre a propaganda do Serra. Parece que o mais novo arranca-rabo entre tucanos e petistas diz respeito a uma imagem do presidente Lula usada no início do programa eleitoral do Serra. Após ver o seu messias figurando amigavelmente na propaganda adversária, os petistas promentem acionar a justiça eleitoral contra os tucanos. O que mais me intrigou foi saber que Serra, com sua campanha na descendente no momento nas pesquisas, teve de apelar a imagem de Lula para mostrar que pode ser um bom menino na presidência. O tucanato anda depenado mesmo.
Nem vou falar do bizarro vídeo de Serra no you tube, satirizando o tucano como garanhão e da propaganda de Dilma que tem em seu cenário o livro de Diogo Mainardi Lula é minha anta. Sem problemas. Outras excentricidades virão...
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
1º debate presidencial 2010: apenas mais do de sempre
Ontem a rede Bandeirantes transmitiu o primeiro debate entre os – e as “as”, hehe – candidatos – e as “tas”, hehehe à presidência da república. Apesar de termos 09 candidatos ao cargo maior da política no país, somente os 04 mais bem colocados – suponho – compareceram – ou foram convidados – ao debate. Ecos de uma democracia baseada em estatística. Tudo bem, tudo bem: para que ouvir um Zé Maria da vida e seu discurso passadista. Mas, ao menos em algum momento, em respeito à tão falada – e nem sempre respeitada – democracia e o eleitorado, creio que valeria reunir a tigrada toda. Talvez seria mais divertido.
Diversão... talvez é que se espera dos debates entre políticos. Pois o resto é tudo muito previsível e cansativo. Provavelmente, o formato adotado para que os candidatos exponham suas ideias e confronte as dos adversários esteja deveras batido. É a velha fórmula: pergunta + dois minutos de resposta + um de réplica + um de tréplica = muitas vezes respostas envoltas em circunlóquios (quando simplesmente não venham com respostas que nada têm a ver com o tema).
Ah, claro. Já ia me esquecendo: os debatedores. Para quem esteve em Marte nos últimos meses, sem internet, compareceram o tucano José Serra, a petista Dilma Rousseff, a verde Marina e o impagável psolista Plínio de Arruda Sampaio, que acabou sendo o diferencial da contenda, graças à falta de musculatura de sua campanha – ganhar corpo a essa altura do campeonato nem com o mais potente dos esteróides anabolizantes políticos.
Na maioria do debate, tínhamos uma tentativa dos dois principais candidatos, Dilma e Serra, a se enfrentarem diretamente. A petista estava muito pouco a vontade, guaguejando e com uma fluência gramatical que nem Lula, com suas limitações de formação educacional oficial, apresenta. Claramente nervosa, ficava mais tranqüila quando conseguia brecha para propagar os números governamentais e jogar a bola de fogo da comparação entre a era FHC e Lula no colo de José Serra.
O tucano, por sua vez, esforçou-se para transmitir um carisma que não consegue tomar território de seu fleumático temperamento. Atacando pontos frágeis do governo como a política de investimentos nos aeroportos, rodovias e portos brasileiros, por exemplo, corria como o diabo foge da cruz quando o assunto era o confronto administração FHC x Lula. Ao contrário de Dilma, Serra não está muito interessado em ver sua imagem atrelada a do presidente sociólogo de outrora. Neste ponto, apenas repete a estratégia da disputa de 2002.
Marina Silva esforçou-se por ser a 3ª via viável – haja eco. Tentou demonstrar o quanto o discurso de Serra e Dilma são próximos e que suas propostas são a oportunidade de uma nova era na política brasileira. Uma era de convergência necessária para o avanço do país, deixando as diferenças de ideias – e métodos – em segundo plano. Também quis deixar transparecer que não é uma candidata unidimensional, presa à questão ecológica.
No entanto, o elemento que destoou do arranjo foi o velhinho socialista Plínio de Arruda Sampaio. Sem vergonha alguma de defender suas teses decrépitas de socialização calcadas no socialismo do século passado, iniciou já comentando a possível surpresa do público por ele ser o quarto elemento, num debate programado até poucos dias para três. Apresentou-se como a única candidatura realmente distinta, dizendo que as outras convergiam para o mesmo lugar: o colo do capitalismo.
Em diversas oportunidades foi direto no que tange a fazer com que os adversários expusessem suas posições quanto a temas como reforma agrária, ação política, entre outros pontos. Ou se era contra ou se era a favor de limitação de hectares de terra, desapropriação de grandes propriedades, distribuição de assentamentos, diminuição da jornada de trabalho, etc. , etc., tudo ao melhor estilo socialista de outrora. Não encontrou ninguém de peito ou criatividade para indagar-lhe se, para combater as desigualdades sociais, era necessário apelar às experiências falidas do socialismo que ele defende.
Bem, mais uma vez, nada de novo, de inédito no debate. Valeu pelo fato de colocar os candidatos a se confrontarem diretamente e, quem sabe, fazer o público ainda indeciso ou sem convicção de voto começar a pensar – se é que grande parte das pessoas acompanhou; na Globo, algo mais “importante” acontecia com a disputa por uma vaga na final da Libertadores entre Inter e São Paulo. De qualquer forma ainda espero ao menos um debate entre a turma toda: com o comunista Ivan Pinheiro, com José Maria Eymael do PSDC (o que significa isto), Levy Fidélix do PRTB (o que significa isto II), e os comunistas e quixotescos Rui Pimenta (PCO, quem bate cartão não vota em patrão) e José Maria (PSTU, é, bem... o PSTU).
Diversão... talvez é que se espera dos debates entre políticos. Pois o resto é tudo muito previsível e cansativo. Provavelmente, o formato adotado para que os candidatos exponham suas ideias e confronte as dos adversários esteja deveras batido. É a velha fórmula: pergunta + dois minutos de resposta + um de réplica + um de tréplica = muitas vezes respostas envoltas em circunlóquios (quando simplesmente não venham com respostas que nada têm a ver com o tema).
Ah, claro. Já ia me esquecendo: os debatedores. Para quem esteve em Marte nos últimos meses, sem internet, compareceram o tucano José Serra, a petista Dilma Rousseff, a verde Marina e o impagável psolista Plínio de Arruda Sampaio, que acabou sendo o diferencial da contenda, graças à falta de musculatura de sua campanha – ganhar corpo a essa altura do campeonato nem com o mais potente dos esteróides anabolizantes políticos.
Na maioria do debate, tínhamos uma tentativa dos dois principais candidatos, Dilma e Serra, a se enfrentarem diretamente. A petista estava muito pouco a vontade, guaguejando e com uma fluência gramatical que nem Lula, com suas limitações de formação educacional oficial, apresenta. Claramente nervosa, ficava mais tranqüila quando conseguia brecha para propagar os números governamentais e jogar a bola de fogo da comparação entre a era FHC e Lula no colo de José Serra.
O tucano, por sua vez, esforçou-se para transmitir um carisma que não consegue tomar território de seu fleumático temperamento. Atacando pontos frágeis do governo como a política de investimentos nos aeroportos, rodovias e portos brasileiros, por exemplo, corria como o diabo foge da cruz quando o assunto era o confronto administração FHC x Lula. Ao contrário de Dilma, Serra não está muito interessado em ver sua imagem atrelada a do presidente sociólogo de outrora. Neste ponto, apenas repete a estratégia da disputa de 2002.
Marina Silva esforçou-se por ser a 3ª via viável – haja eco. Tentou demonstrar o quanto o discurso de Serra e Dilma são próximos e que suas propostas são a oportunidade de uma nova era na política brasileira. Uma era de convergência necessária para o avanço do país, deixando as diferenças de ideias – e métodos – em segundo plano. Também quis deixar transparecer que não é uma candidata unidimensional, presa à questão ecológica.
No entanto, o elemento que destoou do arranjo foi o velhinho socialista Plínio de Arruda Sampaio. Sem vergonha alguma de defender suas teses decrépitas de socialização calcadas no socialismo do século passado, iniciou já comentando a possível surpresa do público por ele ser o quarto elemento, num debate programado até poucos dias para três. Apresentou-se como a única candidatura realmente distinta, dizendo que as outras convergiam para o mesmo lugar: o colo do capitalismo.
Em diversas oportunidades foi direto no que tange a fazer com que os adversários expusessem suas posições quanto a temas como reforma agrária, ação política, entre outros pontos. Ou se era contra ou se era a favor de limitação de hectares de terra, desapropriação de grandes propriedades, distribuição de assentamentos, diminuição da jornada de trabalho, etc. , etc., tudo ao melhor estilo socialista de outrora. Não encontrou ninguém de peito ou criatividade para indagar-lhe se, para combater as desigualdades sociais, era necessário apelar às experiências falidas do socialismo que ele defende.
Bem, mais uma vez, nada de novo, de inédito no debate. Valeu pelo fato de colocar os candidatos a se confrontarem diretamente e, quem sabe, fazer o público ainda indeciso ou sem convicção de voto começar a pensar – se é que grande parte das pessoas acompanhou; na Globo, algo mais “importante” acontecia com a disputa por uma vaga na final da Libertadores entre Inter e São Paulo. De qualquer forma ainda espero ao menos um debate entre a turma toda: com o comunista Ivan Pinheiro, com José Maria Eymael do PSDC (o que significa isto), Levy Fidélix do PRTB (o que significa isto II), e os comunistas e quixotescos Rui Pimenta (PCO, quem bate cartão não vota em patrão) e José Maria (PSTU, é, bem... o PSTU).
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010
...
Cansado. As últimas semanas me deixaram assim. O tempo corre e as obrigações não esperam. Infelizmente, registrar impressões sobre o mundo que explode à minha volta torna-se um tanto difícil. E não é por falta de assunto.
Afinal, a polícia continua a produzir absurdos. Inocentes vão perdendo a vida por causa de uma visão torpe da forma de combater a criminalidade neste país; é preciso matar o marginal, ainda que não se saiba quem é o marginal e ignorando o Estado de direito. A visão do pai sobre o corpo do filho, morto com um tiro na cabeça à luz do dia em plena metrópole, semana passada, correu o mundo e explicita o quanto doente está a sociedade brasileira.
Enquanto isso, Lula continua a dar exemplo de sua ignorância e o quanto é um político apenas intuitivo – o que no mundo atual é o suficiente para ser alçado à categoria de gênio, santo, salvador... Insiste em tratar situações complexas de forma comezinha. Acha – ou finge – mesmo que o desentendimento entre Venezuela e Colômbia no que tange a FARC é apenas questão de gosto ideológico. Trata a boçalidade iraniana de apedrejar pessoas como algo a ser resolvido na base da camaradagem – e por isso tomou um chega pra lá de um ministro não sei das quantas do Irã.
Nossa juventude também anda numa decadência constante. Guiada por uma percepção de mundo calcada no consumo e na obtenção de bens sem limites, crê que, com dinheiro e status, podem tudo. O vídeo dos jovens jogadores santistas se jactando poder gastar com ração para cachorro o que um simples cidadão ganha por mês é evidência muito maior do que maus modos. Do jovem favelado ao milionário, a sensação de que tudo é possível e permitido por meio da posse vai produzindo descalabros.
Além dos problemas particulares que sugam minhas energias, se deparar com estas coisas no dia a dia, cansa – e desanima.
Afinal, a polícia continua a produzir absurdos. Inocentes vão perdendo a vida por causa de uma visão torpe da forma de combater a criminalidade neste país; é preciso matar o marginal, ainda que não se saiba quem é o marginal e ignorando o Estado de direito. A visão do pai sobre o corpo do filho, morto com um tiro na cabeça à luz do dia em plena metrópole, semana passada, correu o mundo e explicita o quanto doente está a sociedade brasileira.
Enquanto isso, Lula continua a dar exemplo de sua ignorância e o quanto é um político apenas intuitivo – o que no mundo atual é o suficiente para ser alçado à categoria de gênio, santo, salvador... Insiste em tratar situações complexas de forma comezinha. Acha – ou finge – mesmo que o desentendimento entre Venezuela e Colômbia no que tange a FARC é apenas questão de gosto ideológico. Trata a boçalidade iraniana de apedrejar pessoas como algo a ser resolvido na base da camaradagem – e por isso tomou um chega pra lá de um ministro não sei das quantas do Irã.
Nossa juventude também anda numa decadência constante. Guiada por uma percepção de mundo calcada no consumo e na obtenção de bens sem limites, crê que, com dinheiro e status, podem tudo. O vídeo dos jovens jogadores santistas se jactando poder gastar com ração para cachorro o que um simples cidadão ganha por mês é evidência muito maior do que maus modos. Do jovem favelado ao milionário, a sensação de que tudo é possível e permitido por meio da posse vai produzindo descalabros.
Além dos problemas particulares que sugam minhas energias, se deparar com estas coisas no dia a dia, cansa – e desanima.
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