quarta-feira, 4 de agosto de 2010

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Cansado. As últimas semanas me deixaram assim. O tempo corre e as obrigações não esperam. Infelizmente, registrar impressões sobre o mundo que explode à minha volta torna-se um tanto difícil. E não é por falta de assunto.


Afinal, a polícia continua a produzir absurdos. Inocentes vão perdendo a vida por causa de uma visão torpe da forma de combater a criminalidade neste país; é preciso matar o marginal, ainda que não se saiba quem é o marginal e ignorando o Estado de direito. A visão do pai sobre o corpo do filho, morto com um tiro na cabeça à luz do dia em plena metrópole, semana passada, correu o mundo e explicita o quanto doente está a sociedade brasileira.

Enquanto isso, Lula continua a dar exemplo de sua ignorância e o quanto é um político apenas intuitivo – o que no mundo atual é o suficiente para ser alçado à categoria de gênio, santo, salvador... Insiste em tratar situações complexas de forma comezinha. Acha – ou finge – mesmo que o desentendimento entre Venezuela e Colômbia no que tange a FARC é apenas questão de gosto ideológico. Trata a boçalidade iraniana de apedrejar pessoas como algo a ser resolvido na base da camaradagem – e por isso tomou um chega pra lá de um ministro não sei das quantas do Irã.

Nossa juventude também anda numa decadência constante. Guiada por uma percepção de mundo calcada no consumo e na obtenção de bens sem limites, crê que, com dinheiro e status, podem tudo. O vídeo dos jovens jogadores santistas se jactando poder gastar com ração para cachorro o que um simples cidadão ganha por mês é evidência muito maior do que maus modos. Do jovem favelado ao milionário, a sensação de que tudo é possível e permitido por meio da posse vai produzindo descalabros.

Além dos problemas particulares que sugam minhas energias, se deparar com estas coisas no dia a dia, cansa – e desanima.

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