sábado, 30 de julho de 2011

Considerações em torno do brioco da Sandy

He he he. Tentei me esquivar, mas não consegui. Logo, decidi fazer o registro para, quem sabe, daqui há uns 50 anos, se vivo estiver, lembrar desses dias tão tolos vividos. Virou o assunto da semana, quiçá do ano – talvez poderemos relembrá-lo no Retrospectiva 2011. É sobre o brioco da Sandy. Ou ânus. Ou, vá lá, o cu da moça. Está no centro – sem ironia – das atenções. Ao menos na imaginação e, principalmente, língua – hum... – do povo. 

Tudo por conta de uma suposta declaração feita pela moça para a revista Playboy, durante entrevista. “É possível ter prazer anal”, teria dito a donzela que ultimamente parece empenhada em se mostrar, à sua maneira, devassa aos olhos do mundo. Segundo Sandy as palavras não foram bem essas e tal, tentou se esquivar, mas a internet está fazendo o serviço de tornar as coisas da maneira que a Playboy expôs. A propósito, a revista promete disponibilizar o áudio na íntegra da famigerada entrevista. O mundo aguarda desejoso.

Mas por que tanta celeuma? Recentemente, Cléo Pires disse a mulherada curte alargar o esfíncter. Não chegou a causar tanto burburinho. Porém, quando a coisa é atribuída a recatada Sandy, toma um rumo diferente. Afinal, a indústria midiática sempre vendeu uma imagem de boa moça dela que, quando se ouve uma opinião que contraria esta tola projeção no consciente coletivo, o alvoroço é instantâneo. 

Sexo anal ainda se mostra tabu em nossa sociedade, mesmo do lado ocidental, tão cheia de licenciosidades. O espírito religioso nos ensinou ser uma prática contrária aos desígnios divinos, em especial por ser associada ao homossexualismo entre homens. Perversão!, acusam os supostos defensores dos bons costumes. O troço é tão incômodo – aqui, enquanto assunto –, que gaiata vai para internet pedir opinião se liberar o ânus é errado... 

Logo, se deparar com Sandy, o arquétipo da menina pura e meiga que todo pai gostaria de ter em sua família, supostamente dizendo que gozar tomando atrás é algo possível, pode representar um marco. E por quê? Ora, a mulherada não gosta – ou finge não gostar – nem de tratar do assunto; quanto mais liberar o desejado. Se Sandy, a mulher modelo de uma sociedade dissimulada e hipócrita, resolve chutar o balde, poderemos assistir o nascimento de uma nova era: se até a Sandy dá, por que não dar? E o cu feminino finalmente reinará sem culpa.

Que venha o áudio de Playboy e a coisa seja realmente como se está dizendo: espero que a mulherada adira relaxadamente aos conselhos da boa moça.

domingo, 24 de julho de 2011

Descanso

Como outras carreiras do meio artístico, a dela foi igualmente avassaladora e breve. Uma pletora de talento circundada por uma existência perturbada que, como em outras ocasiões, tomou um atalho para o abismo ao encontrar-se no centro devorador de corações e mentes da indústria cultural: bajulações, facilidades, interesses, superficialidades. Apenas talento não é o suficiente para resistir à doença da autodestruição.

Aconteceu tudo conforme o script trágico do “destino” de diversas personalidades do universo da arte manda: a descoberta, a exposição, o sucesso, a pressão, o excesso, a entrega, o fim precoce. Ela tinha 27 anos e, coincidência ou “destino”, morreu com a mesma idade e da mesma forma trágica que tantos outros talentos erigidos à categoria de ídolos: Jim Morrison, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones e Kurt Cobain. 

Fosse eu adepto de teorias e conspiratas para além do plano físico, diria que há algo por trás de tudo isso. As letras que formam os nomes deles estão tão próximas que não se poderia fugir do funesto destino: B e C, J, K e M. Agora o A... Sem contar o mês de julho, fatal para Brian, Jim e ela. Mas não creio ser necessário mergulhar em hipóteses ocultas para compreender a desgraça responsável por tragar mais um talento da música sob a égide da cultura pop. 

A tragédia de Amy está ao nosso lado, às vezes dentro do nosso círculo familiar ou de relacionamentos. Aflige-nos por assistirmos, não raro impotentes, a derrocada de uma existência frágil que ilusoriamente descobre no excesso o remédio para sua infelicidade. Infelicidade esta que ignora status quando tem de aportar em corações, tragando espíritos e devorando vidas.

Amy Winehouse está morta. Ainda que não se saiba realmente se por overdose de drogas, certamente partiu por dose excessiva de infelicidade. Uma consciência atormentada por viver em um mundo cada vez menos real e mais exigente. Ignoro a existência de existência pós-morte. Não obstante, se nossas consciências puderem transpor o aparente limite do fim da vida, torço para que Amy possa encontrar descanso após essa passagem turbulenta pela vida.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Longe

Tempos sufocantes. Pressões, urgências, quase um reino da loucura! Respirar por esses dias parece ser algo cada vez mais difícil. Esta tal vida moderna me aborrece profundamente. Às vezes parece que somente há duas opções: ficar e aguardar a loucura reinar definitivamente ou ouvir o espírito misantropo e partir para o isolamento, tentando se salvar da doença social que se alastra.

Ainda descubro um meio de chegar naquele lugar distante, onde posso ter um encontro real comigo mesmo...