sábado, 30 de abril de 2011

Ufa! Até que enfim casaram!!!

Já não aguentava mais o pé nos bagos com essa história de casamento real. Nas últimas semanas, a tal união do príncipe William e a agora princesa Kate quase que tomou de assalto os noticiários. Era na net, nos jornais e nas revistas. Não se podia buscar informação sem se deparar com o tal grande acontecimento do ano. Eu apenas me aborreci em ter que ficar a todo momento lendo sobre uma bobagem de casamento que ganha tanta notoriedade só pelo fato da mídia - e dos trouxas que a sustentam - salivar por espetacularização de tudo o quanto acontece no planeta. Por mais insignificante que seja.

Casamentos, real, plebeu, pobre, rico acontecem a todo momento. Importa a quem casa e aos seus. E só. Se estivéssemos vivendo um mundo menos ávido por fofocas e outras futilidades, deixaríamos o casamento da família real para a família real. Afinal, quantas outras famílias reais - e elas existem - têm suas cerimônias expostas a ponto de ocupar as capas das principais revistas semanais de um país, como aconteceu por aqui na Veja, na Istoé e na Época?

Para finalizar melancolicamente, foi duro assistir há pouco a Arnaldo Jabor comentando o grande acontecimento como se fosse um Nelson Rubens ou Leão Lobo pedante. Ah!, que se foda a tradição!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Um pouco de lucidez em meio ao turbilhão emotivo

Ainda estamos todos perplexos e abalados após a selvageria perpetrada por um desequilibrado numa escola do Rio de Janeiro. Porém, é preciso mirar no equilíbrio e na razão para não deixar os mais diversos debates tomarem rumos de pura emoção ou serem eivados por idelogias. Pior: controlar a emoção para que certas reações que se querem legítimas não descambem para simples selvageria, aproximando-se, assim, do objeto de repulsa - atacar e depredar a casa dos parentes do assassino é algo justo?

Desse modo, muito me anima ler um artigo, que reproduzo abaixo, de autoria do sociólogo e colunista do Terra Magazine Edmilson Lopes Júnior acerca do ocorrido e do mercado de armas. Afinal, os salvadores do planeta - e aí incluem-se Rede Globo, Sarney, muitos petistas, etc -, diante da tragédia de Realengo, já encontraram um culpado: o mercado de armas. Nem quiseram colocar em profundidade o debate sobre a segurança nas escolas, a violência da juventude, o combate ao mercado ilegal de armas, entre outros pontos mais urgentes - e que pesariam muito na conta de políticos. Preferiu-se a facilidade de culpar o comércio legal das armas e jogar à culpa nas costas de quem votou a favor deste.

Não vou entrar em detalhes sobre o que eu acho ou deixo de achar sobre o comércio de armas. Por mim, elas somente estariam nas mãos das forças armadas para a defesa de nosso território. Mas a realidade é muito mais dura e cruel do que o meu desejo utópico. Logo, não acredito que simplesmente proibir a venda de armas aos cidadãos seja o ponto principal para combatermos essa violência que parece incrustar-se cada vez mais em nossa cultura. Segue o artigo.

O massacre de Realengo e o mercado de armas

O massacre de crianças em uma escola no Rio de Janeiro fez erodir muitas de nossas certezas e convicções. Dentre estas, a idéia de que essas tragédias eram ocorrências de outros países, não do nosso. Diante de situações idênticas, ocorridas nos Estados Unidos, por exemplo, reagíamos com uma indisfarçável superioridade: entre nós, dizíamos, esse tipo de coisa não teria lugar. Na quinta-feira, em meio ao sofrimento e a sensação de impotência, descobrimo-nos tão vulneráveis quanto americanos, chineses ou europeus, quando tragados por acontecimentos assemelhados.


Na busca inútil em compreender o incompreensível e em fornecer sentido ao que destituído de sentido é, alimentamo-nos das explicações sem convicção e pouco convincentes dos especialistas do plantão. Se a história do assassino parece oferecer referentes e ocorrências que corroborem a elaboração de um perfil psicológico singular (um psicopata), os sofrimentos derivados do enfrentamento, na adolescência, do bulliyng escolar não sustentam uma explicação mais substantiva sobre a tragédia que se abateu sobre Realengo. Angustiados, perguntamo-nos, assim como pais, parentes e amigos das crianças cujas vidas foram tão brutalmente arrancadas: por quê? A ausência de respostas provoca desorientação. Queremos algo em que nos agarrar para evitar que o mal se repita.

Alguns políticos, atentos à necessidade de mostrar que "algo está sendo", trazem novamente à baila a discussão sobre a proibição do comércio de armas. Há meia década, a mesma sociedade que hoje lamenta a tragédia optou, em plebiscito, contra a ilegalidade desse negócio. É óbvio que uma questão como essa deve estar sempre em discussão, especialmente em um país que ainda detém uma das mais altas taxas de homicídios de mundo. E esses homicídios resultam do porte de armas de fogo pelos assassinos, sabemos todos. Mas reavivar esse debate ajuda-nos muito pouco nessa hora. Ora, não como negar que, mesmo que fosse ilegal o comércio de armas, o assassino de Realengo não teria tido dificuldades em adquirir as suas armas.

O debate fundamental, e sobre o qual políticos e gestores de segurança têm, sim, muito a dizer, é aquele a respeito do mercado ilegal de armas. Irmão siamês do tráfico de drogas, o tráfico de armas estrutura-se em nichos e hierarquias delimitadas. Funciona também em uma zona gris de quase legalidade, com certa legitimidade social. A punição severa, já prevista em lei, dificilmente atinge os atores desse mercado. Em conseqüência, em todos os recantos do país, conseguir uma arma ilegal é coisa das mais triviais.

É tão grande a condescendência social para com o comércio ilegal de armas no Brasil que é possível mesmo identificar certa moralidade subjacente às suas transações: as armas aí negociadas serviriam para a proteção das pessoas. Foi esse o discurso esfarrapado produzido pelos intermediadores da compra das armas utilizadas pelo assassino de Realengo. Obviamente, como sói ocorrer em outros mercados ilegais, as elaborações justificadoras das ações, por mais destituídas de crédito que essas sejam, sempre dizem algo sobre o entorno social que as consome. No caso, a idéia de que proteção pessoal se conjuga com porte de armas. Na prática, a coisa se passa de forma bem diferente: as armas negociadas nesse comércio alimentam uma espiral de crimes.

A facilidade com que jovens e adolescentes conseguem adquirir uma arma no Brasil é estarrecedora. Um orientando, envolvido em uma pesquisa a respeito dos atores da violência na Zona Norte de Natal, com base nas entrevistas realizadas com jovens e adolescentes com algum envolvimento em atividades delituosas, pode comprovar o quanto era banal, quase natural, para os seus interlocutores, o ato de aquisição de uma arma.

Mais do que alimentar uma discussão ideológica, propícia à produção discursiva demagógica e inócua, a respeito da proibição do comércio legal de armas, a tragédia de Realengo deve nos levar a classificar como hediondo e socialmente inaceitável o criminoso mercado ilegal de armas que funciona quase abertamente de norte a sul deste país. Fazer valer as leis já existentes a respeito da matéria, nesse sentido, seria um bom começo.

Edmilson Lopes Júnior é professor de sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Fale com Edmilson Lopes Júnior: edmilsonlopesjr@terra.com.br


 http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5068443-EI17080,00-O+massacre+de+Realengo+e+o+mercado+de+armas.html

terça-feira, 5 de abril de 2011

Próxima sexta estreia programa que Boçalnaro não vai gostar

Bem, próxima sexta-feira inicia o programa global “Macho Man”, no qual um gay se torna ex-gay após um incidente – cruzou com Bolsonaro e tomou uma surra de cinto? Será que o grande deputado Boçalnaro vai cobrir de porrada se pegar alguém em sua casa assistindo o referido?

Por um Brasil, um mundo!, menos BOÇALnaro

 “É que esse corpo humano é reciclável, amando fica mais amável”
Arnaldo Antunes

Não se falou, e ainda se fala, de outro assunto. O lixo vomitado pelo representante de certa parte do Brasil, deputado Jair Bolsonaro, o Boçal, na 2ª feira da semana passada no programa CQC ecoou: alguns defenderam literalmente seus “argumentos”, outros apenas o seu direito de expelir fezes pela boca em forma de palavras e muitos quiseram sua cabeça. Particularmente não desejo ao Sr. Boçalnaro nada além do que a legalidade pode lhe impor. Meu sonho é que gente como ele vá sumindo da vida pública e seja esquecido num limbo qualquer – o que é algo difícil, haja vista o número considerável de “boçalnaretes” espelhados por aí.

Ontem o programa CQC resolveu dar oportunidade ao cidadão de explicar suas bobagens. Apenas reforçou sua imagem troglodita. Como disse durante a semana que poderia ter se equivocado aqui e ali, talvez até mesmo ter sido vítima de alguma manipulação do programa, foi entrevistado. E lá voltou com suas sandices, do tipo ninguém tem orgulho de filho gay, que seus filhos são muito bem educados para se tornarem homossexuais, entre outras mais. Por fim, para negar o seu racismo, mostrou a foto de um rapaz pardo – considerado negro nos dias em curso – e perguntou a Danilo Gentilli, que o entrevistava, de que cor era o rapaz. Mediante a resposta da suposta negritude do jovem, perguntou como seria racista se aquele era irmão de sua mulher. Nada como ter alguém com a tez um pouco morena por perto para justificar o seu não racismo.

Ao final de mais uma seção de tolices, Marcelo Tas, apresentador do programa, fez algumas considerações. Falou de certas manipulações de seu comentário após a entrevista do deputado no boçal dia, sobre o direito de expressão, entre outras coisas mais. Um momento fulminante foi quando mostrou uma foto em que aparecia com uma jovem, revelando que ela vivia nos EUA, fora aprovada em uma das principais universidades daquele país, era lésbica e sua filha, de quem se orgulhava muito. Coitado do Boçalnaro...

Claro, nada vai mudar o universo tacanho e truculento desse Sr. Mas dar voz a ele acabou sendo uma boa, pois tornou-se conveniente pensar que tipo de país vivemos. O deputado já foi eleito diversas vezes. Tem um eleitorado cativo, que compartilho de sua visão de mundo boçal. Ora, ser contra cotas, por exemplo, qualquer um pode ser. Eu mesmo, mestiço - para ficar ao gosto de Darcy Ribeiro- , criado e educado em meio à pobreza, não vejo com o mesmo entusiasmo de muitos esse paliativo que pode resolver parte do problema, mas pouco faz por uma nação culturalmente deficiente – não por conta do nível de ensino superior em si, que também não é lá essas coisas nos dias atuais, mas por causa da desestrutura na rede pública, nos ensinos básico e fundamental.

Todavia um pouco de consistência ajuda. O deputado, na ocasião de suas opiniões grosseiras, disse não ter coragem de entrar em avião pilotado por cotista ou ser operado por um deste. Nunca vi argumento mais tosco e estúpido. Como se aviões não caíssem desde sempre e médicos, vindos de famílias abastadas, onde pais presentes, como o Sr. Jair, não os deixam se tornar gays(?!), não cometessem barbáries. 

O Brasil ainda tem muito a “civilizar-se”. Esterilizar a “produção” de Boçalnaros com muita educação, cidadania e tolerância é um desafio hercúleo, para espíritos livres e comprometidos com a democracia.