sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

É chegada a hora


A inspiração para escrever anda em falta. Após um ano particularmente cansativo, chego vivo e com muita disposição para encarar mais uma jornada no novo ano a surgir em horas. Assunto para tratar teve aos montes. O problema é o enfado dos dias vividos que termina por minar a vontade de externar a insatisfação. Deparei-me com tanta coisa nestas últimas semanas que fiquei a refletir o quanto vale viver nesse país: na política, nas relações cotidianas, no trabalho. Diversos acontecimentos me fizeram pensar em qual será o sentido de vivermos em uma sociedade tão mesquinha, vil.

A violência, em particular, foi uma coisa que me levou a questionar porque insistir em viver por aqui. Foram tantos os casos escabrosos no país afora e o último que me impactou se deu na vizinhança onde moro. Em pleno 25 de dezembro, data simbólica para os cristãos, acontecia um homicídio brutal e chocante enquanto estava à frente de minha residência e percebia uma movimentação estranha a uns 150 metros.
Após muita movimentação, fico sabendo que um homem assassinou outro com 05 facadas. Usou 02 facas e uma das lâminas quebrou-se após ser cravada lateralmente no pescoço da vítima. O mais perturbador foi saber que se tratava de dois amigos, dois compadres, e o assassino tinha sido convidado para ser padrinho de batismo da filhinha do homem morto. 

A virada de ano simboliza mudança. Ao menos esta é a nossa expectativa. Sinceramente, desejo que o próximo ano nos podemos avançar mais enquanto seres humanos civilizados e capazes de conviver em meio à discordância e à diferença. Não quero ter de conviver com a sensação doentia de que a qualquer instante minha família, eu ou meus amigos – ou qualquer pessoa – seremos inevitavelmente vítimas de uma sociedade em convulsão.

Desejo e contribuirei para nos colocarmos rumo à paz e a harmonia – mesmo que isso possa parecer tão distante e utópico.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Cadê o grampo? O gato comeu!

O ministro Gilmar Mendes e, por extensão, a revista Veja, podem preparar o telhado: conforme investigação da PF, não foi encontrado grampo telefônico de uma suposta conversa entre o ministro e o senador democrata Demóstenes Torres, revelada com ares de horror para com o estado democrático de direito pela revista Veja.


Se há época muita gente já colocava em cheque (assim mesmo, sem fundo...) a versão por não ter sido apresentado a gravação da conversa – apesar de mostrada a transcrição pela Veja –, agora os envolvidos terão a pecha de picaretas confirmada.



O curioso é o seguinte: se não foi a ABIN a responsável pela gravação do grampo, segundo a Veja, quem foi? Quem pode ter gravado a conversa e apresentado a revista? São questões extremamente importantes, pois se não existe grampo, houve uma armação sórdida por parte de gente de primeira grandeza do poder institucionalizado e uma das principais revistas do país. Em suma: houve crime.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Bacharel em Ciências Sociais virtual

É, finalmente encerrei um capítulo importante em minha história. Minha monografia foi aprovada sem restrição alguma e já posso me considerar um bacharel em Ciências Sociais. Foi um longo caminho - ainda com alguns passos para terminar por completo -, mas alcancei meu objetivo. No próximo ano buscarei disponibilizar a minha monografia sobre a cultura punk na rede. Dentro do que me dispus a fazer, creio ter merecido o resultado.

No mais, a luta continua. Ainda pretendo pegar o título de licenciado em Ciências Sociais. Faltam dois passos.

domingo, 19 de dezembro de 2010

E os blogueiros ditos progressistas se estapeiam


A blogsfera que se intitula progressista anda meio aborrecida consigo mesma. Depois de Luis Nassif dar algum destaque a comentários sobre feministas, as coisas parecem que desandaram. Diversas críticas entre progressistas  mais progressistas e reação dos outros progressistas (!!!) mostram como a tentativa de se andar em bando achando que se vai mudar o mundo pode dar com burros n’água. 

O resumo da confusão progressista está no blog do lulista Eduardo Guimarães. Lá, o enfezado blogueiro manda chumbo para cima de outro tal progressista  da internet chamado Idelber Avelar  que não se furtou em criticar o Nassif. 

Para mim, que já acompanho há tempos política na internet, não há nada de novo em ver gente que se ajunta em torno de um determinado propósito, dando uma falsa ideia de unidade, se “estapeando” quando olham um para o outro em determinado momento de sua caminhada obstinada em busca de seus propósitos e reparam bem em seus aliados. Caso clássico, por assim dizer, foi quando colaboradores do jornal eletrônico direitista conservador Mídia Sem Máscara entraram em rota de colisão com um de seus idealizadores, o filósofo Olavo de Carvalho. Um dos exemplos foi o quebra pau entre este e Janer Cristaldo. Todo o encanto parece desmoronar...

Agora vejamos onde vai parar essa pendenga entre os puxa sacos lulistas – eu não resisto –, na disputa para ver quem é mais progressista que o outro.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Eles...

"Certa gente se conhece no cheiro", já dizia Caetano em sua música que dá título a este post. Nossos ilustres parlamentares, coitados, acabam de elevar seus salários, o do presidente, do vice e dos ministros de Estado, equiparando-os as mais de 26 mil pilas a que têm direito os ministros do Supremo. E o povo, onde está? Sei lá! Talvez curtindo os últimos dias paradisíacos lulistas.

Eu poderia ir às ruas fazer um protesto de um homem só. Mas de que adiantaria? Provavelmente seria visto como uma criatura exótica, sem nada para fazer e querendo aparecer. Talvez, juntando uns gatos pingados, mostraríamos nossa indignação e... só mostraríamos nossa indignação. Nada seria mudado, alterado. Nenhuma mente ou coração seria tocado para fazer o que tem de ser feito: dizer não à mais uma excrescência de nossos políticos. A massa está muito ocupada, fazendo perpetuar sua eterna alienação. Mesmo em tempos de paraíso lulista...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Acabando

Ufa! Finalmente terminou o semestre na universidade. Ainda não recebi todos os resultados, mas creio que tudo estará em ordem, principalmente a aprovação de minha monografia. Sobre ela, extra-oficialmente recebi o resultado positivo, mas ainda não sei a nota. Até a próxima semana tomarei ciência das notas oficiais tanto da mono, como das disciplinas que cursei. Foi cansativo, contudo proveitoso.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Como tratar civilizadamente os "incivilizados"?


No último domingo soubemos de uma série agressões promovidas por jovens de classe média em São Paulo. Conforme as informações, os jovens agrediram várias pessoas, sendo que um grupo de três amigos foi vítima porque seria composto por homossexuais. Os vídeos desta agressão estão na rede; é algo grotesco. Seria uma cena facilmente adicionada ao filme “Laranja Mecânica”, onde jovens se divertem com atos de ultraviolência.

Dois grupos seguiam em direção contrária e ao passarem um pelo outro, um jovem com duas lâmpadas fluorescentes nas mãos vai em direção aos três amigos e ataca um com dois golpes em sequência  com as lâmpadas. O jovem atacado tenta revidar, mas outros amigos do agressor partem para o espancamento da vítima – enquanto os dois amigos desta, amedrontados, apenas assistem a agressão até a intervenção de um segurança de um estabelecimento próximo. 

Bem, como 04 dos agressores são adolescentes não ficaram detidos. Qual será a punição para as “crianças”? Talvez medidas sócio-educativas. Surtirão efeito? Acho pouco provável. Afinal, uma pessoa que toma a atitude semelhante a do jovem, traz em si valores acumulados ao longo de sua existência que não serão mudados a partir de conversas burocráticas temporárias. Creio na necessidade de medidas mais enérgicas. 

No meu mundo ideal, um rapazinho adepto de atitude tão ignominiosa que tivemos conhecimento, ficaria trancado por ao menos um ano. Seria acompanhado – mesmo – por psicólogos e assistentes sociais, além de ser obrigado a participar, por ao menos 05 vezes na semana, de aulas diárias sobre direitos humanos. Ao sair, ainda teria compromisso regular com a sociedade durante um bom tempo, representada na figura da justiça. Se optasse por incorrer ao erro uma vez mais, a punição seria mais severa. 

Não é possível tratar com comiseração indivíduos que não têm sentimento algum de compaixão ao seu próximo, menos ainda respeito. A boçalidade com a qual o adolescente atacou o outro jovem não requer leniência; clama por punição rigorosa.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quase fim de um longo caminho

Bem, terminei minha mografia após uma caminhada de quase três anos entre projeto e produção. Foi uma caminhada difícil, com muitos contratempos e obstáculos, além de gratas surpresas - como meu filho. Mas, enfim, conclui i trabalho. Não obstante, ainda espero o resultado após avaliação, que somente saíra no início de dezembro. Até lá, um pouco de tensão ainda restará em meu corpo já cansado. Espero que, quando dezembro chegar, eu possar tirar esse peso das costas - apenas para colocar outros, afinal existem algumas coisas ainda para serem realizadas e será necessário mais disposição. Sem problemas. Ao menos estou um pouco desacelerado agora, dando-me até ao luxo, depois de meses e meses, de dedicar alguns instantes do dia à literatura - comecei "O Coração das Trevas", de Joseph Conrad e estou fascinado.

Quanto ao blog, tentarei retomar as atividades regularares gradualmente. Muita coisa aconteceu nessas poucas semanas em que parei de postar - PT mais quatro anos na presidência, Obama conhecendo mais ainda da realidade, Mengão em baixa, classe média dando mau exemplo mais uma vez com estudante de direito destilando preconceito contra nordestinos na rede, e por aí vai. O mundo explode a cada segundo. E vez ou outra, desejo me esconder dele.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

01 ano esta noite

Há um ano nascia Tayler, meu filho. De chofre! Minha esposa estava no oitavo mês e fomos fazer uma das últimas ultrassonografias. Lá chegando, descobrimos que as coisas não estavam tão bem e naquele instante Josi deveria ir para mesa de parto. Uma correria daquelas! Duas horas depois, Tayler veio ao mundo, com algum sofrimento - e bastante risco. Sua mãe encontrava-se num estado chamado de pré-eclampsia, problema advindo da elevada pressão arterial e que compromete o transporte de sangue e oxigênio ao feto, bem como todo o corpo da mulher.


Nasceu com quase 2,5 kg e foi direto para a UTI infantil. Por lá ficou apenas 11 dias, respondendo bem ao tratamento. Chegou em casa no dia 08/11/2009, sendo saudado pelo seu time de nascimento - 28/10 é dia do flamenguista - com uma vitória sobre o Atlético MG. Melhor recepção não poderia haver.

De lá para cá muita coisa aconteceu. Tayler se desenvolveu, cresceu e vive querendo aparecer. Alguns trabalhos no decorrer do caminho - há um mês, sofreu uma febre convulsiva muito por conta de nossa experiência -, mas no geral, alegria, alegria. É apenas um primeiro passo na longa caminhada a ser trilhada. Mas quero que saiba, mesmo ainda não compreendendo racionalmente, que terá sempre nosso apoio. Amor não faltará - nunca.


Parabéns, filho.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Gerra Santa em plena eleição!

Nunca testemunhei uma eleição presidencial tão escrota como a que estamos vivenciando. De um lado a títere de Lula, Dilma Rousseff, que não mostrou real cacoete para a política até o momento - daqui duas semanas votamos no segundo turno - e corre "risco" concreto de ganhar a disputa . De outro, José Serra, o político dos meios mandatos - acho que se ele fosse Lula, ganhando a presidência, largaria ao meio para disputar o cargo de rei do mundo (sic) -, que parece ter vergonha do legado do próprio governo - e por isso mantém distância de FHC, "preferindo" Lula em sua propaganda! - e, sem um rumo certo desde o início da campanha, agora crê ter se achado: é um neoconvertido!

Graças a inabilidade de Dilma Roussef, que quando confrontada com o próprio passado defendendo a não criminalização do aborto, não soube dizer se o que defende hoje é diferente de ontem e vice-versa, caimos numa guerra santa: a religião acabou por ditar o tom da eleição. Contra aborto, a favor do aborto, capeta em forma de mulher, um careca com cara de Nosferatu assumindo ares de santo e nossas vidas tranformadas em um inferno - mais um... - ao ter que suportar a hipocrisia reinante nos noticiários.

Infelizmente a política que interessa, que já vinha sendo posta de lado graças às acusações mútuas dos candidatos, foi abortada de vez na disputa deste ano. Não vejo a hora de chutar a perna da mesa da urna no próximo dia 31 para se encerrar esse estorvo. Claro, apenas para começar outro. Seja qualquer um dos dois eleitos, será necessário muito estômago para acompanhar o universo político nos próximos quatro anos. 

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Pit stop para política

Quase parada para uma observação pós (ou quase) eleição. Ainda quero colocar no papel minhas impressões sobre a última disputa pela presidência – que ainda está em curso, haja vista o segundo turno a se realizar. Mas quero comentar num instante sobre um escrito no Terra Magazine, que trata sobre a palhaçada nas eleições.






Como não é novidade nem para as pedras, o palhaço Tiririca foi eleito deputado mais votado do país com quase milhão e meio de votos. Se não tiver enganado a Justiça Eleitoral ao comprovar que era alfabetizado, vai integrar a Câmara Federal. Não vou entrar no debate do que significa a eleição do humorista – sei, significa muitas coisas.






O que me chamou mais a atenção foi o jornalista Eduardo Tessler ter atinado para um fato talvez mais significativo do que o caso Tiririca: a qualificação da esposa do ficha-suja Joaquim Roriz. Como não tem certeza de que conseguirá livrar-se das acusações de falcatruas diversas, o velhaco político achou por bem mandar a esposa para disputar a eleição para o governo do DF.






O jornalista lembra que palhaçada, mesmo, foi terem mandado a esposa de um político com problemas na justiça disputar o segundo turno de uma eleição – na verdade, ela não deveria estar nem no primeiro. A senhora títere do marido espertalhão, se mostrou um desastre e virou sensação  na rede – só não pode se consolidar como sensação no DF, sendo eleita “governadora”.






A eleição de Tiririca, talvez seja uma piada. A da srª Roriz seria uma tragicomédia.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Falastrão vendedor de livros de auto-ajuda divina agora é Serra


Notinha interessante: o pastor-vendedor de livros de auto-ajuda divina Silas Malafaia, no seu melhor estilo espetaculoso, anunciou não votar mais em Marina Silva; agora é José Serra. Segundo o falastrão, ao propor plebiscito para assuntos polêmicos como aborto e legalização da maconha, a verde mostra-se uma cristã dissimulada. Mais: cristão que é cristão “tem de mostrar a cara posicionando-se de forma categórica contra o pecado”. Expos sua posição em carta aberta enviada à manada.

Tudo bem. Cada um tem suas preferências e podem mudá-las como e quando quiser. Agora, quando vejo lideranças religiosas apelando a fatores divinos para tomar decisões terrestres, logo o alarme desperta em minha consciência. O vendedor de livros crê que Marina deveria simplesmente dizer não ao aborto por ser cristã e contra o pecado. Bem, Marina já disse diversas vezes ser pessoalmente contra não somente ao aborto, como contra casamento gay. 

Na verdade, gente como o Malafaia não quer apenas uma opinião incisiva contra o aborto. Gostaria de ver um/uma representante se dizendo contra a qualquer debate sobre o assunto. Porém, Marina é inteligente o suficiente para entender que, se uma vez revestida do poder presidencial, suas convicções religiosas não poderiam jamais se sobrepor à laicidade do Estado. Do contrário, rumaríamos para a teocracia. 

“Mas o que tem a ver laicidade e ser contra aborto?”, indagaria alguém. Enquanto estiverem numa perspectiva de opinião privada, nada. Contudo, quando se ocupa uma função pública, concernente não somente a você e ao seu grupo, que esteja sobreposta numa estrutura laica, as coisas mudam de figura. Você não toma decisões para meia dúzia de escolhidos; deve agir levando em consideração a todos e suas idiossincrasias. Logo, Marina se mostra correta em, mesmo sendo contra, levar a questão para o, digamos, debate público.

Fico a imaginar um Estado tendo à frente um líder malfaiano que tomaria suas decisões a partir do conceito de pecado: luxúria é pecado? Sou contra! Prendam todas as prostitutas, fechem todas as produtoras pornográficas, censurem a internet! Rock é música do diabo? Queimem todos os CDs e discos ainda existentes, identifiquem todos os baixadores da música profana e os exponham em praça pública! 

Como diria o irascível filósofo conservador Olavo de Carvalho: ora, porra!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Debates, debates...

Uma parada rápida nas atividades. Ontem aconteceu mais um debate entre os presidenciáveis - ao menos quatro deles - e apesar de algumas posturas um pouco diferentes daquelas do primeiro debate, nada de realmente excitante aconteceu. Ou melhor: quase nada.

Serra, o candidato tucano quase depenado, parece ter optado por uma nova estratégia: evitar o ataque direto à candidata petista. E assim iniciou sua série de perguntas indagando ao candidato do PSOL Plínio de Arruda Sampaio sobre como deveria ser a política externa do Brasil. O velhinho maluquinho, do alto de sua inimputabilidade conquistada nesta eleição para dizer o que lhe der na telha, apelou ao anti-americanismo rasteiro - aplaudido por sectários - e defendeu o direito à bomba atômica por parte do Irã, finalizando sua fala afirmando ser os EUA um país ditatorial - novamente foi aplaudido.

Bem, que os EUA merecem críticas pelas posições não raro contraditórias em nome da democracia e da  humanidade, não tenho dúvidas. Porém, apelar a bobagens superficiais dignas de adolescente revoltado que ouviu conversa de professor "revolucionário", alimentando mais ainda a limitação do assunto, para quem é minimamente informado fora dos catecismos, é algo intragável.

Marina foi um tanto incisiva em suas perguntas e algo superficial em algumas respostas. O velhinho maluquinho até que acertou ao indaga-la por que não se posiciona mais diretamente em determinados assuntos como aborto, discriminação da maconha, entre outros. Por fim, Plínio resolveu fazer das suas: cheio do seu socialismo vetusto, acusou: Marina é eco-capitalista!

No entanto, foi Marina responsável por um dos momentos mais interessantes do debate que, confesso, não captei em sua essência no instante. Quando a candidata verde perguntou à Dilma o que fazer para enfrentar a corrupção como a que se alastra na pasta da qual fez parte, a Casa Civil, levando em conta os recentes escândalos envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra, seu outrora braço direito, a petista mostrou toda a sua esperteza: lembrou de casos de corrupção do próprio governo.


Quem chamou atenção para a tática kamicase foi o blogueiro Gravataí Merengue. Ao responder Marina, Dilma disse que na época em que ela fora ministra do Meio Ambiente, servidores ocupantes de cargos de chefia da sua pasta estavam envolvidos em casos de venda ilegal de madeiras. Sim, a candidata do Noço Líder, para responder a uma acusação de corrupção no governo do qual faz parte, apela a denúncias de ilegalidades contra... o governo que faz parte! Por amor a Jaga !! O que é isso?! E teve gente que adorou, como o blogueiro petista Eduardo Guimarães. Surreal!

Vivemos dias absurdos no que tange à política. É candidato da oposição correndo da imagem de um dos seus principais aliados de dentro de seu próprio partido, apelando à imagem do principal adversário em seu programa político, é candidata que não se quer poste e relembra casos de corrupção de seu próprio governo, é candidato veterano embasando seu discurso sobre ideias de séculos passados que, quando experimentadas, revelaram-se desastrosas, e por aí vai.

Espero arrumar um tempo para fazer um desabafo final antes dessa eleição. A coisa não anda nada animadora.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Somente neste país. Ou: é a economia, Mané!

Esta postagem é basicamente uma reprodução de um comentário que fiz no Observatório da Imprensa. Como não tenho certeza de sua publicação e é mais um desabafo ante as bobagens proferidas pelo nosso presidente, garanto aqui o registro para a posteridade.



O problema de Lula é a língua ser muito mais veloz que o raciocínio. Basta ver seus últimos comícios em Santa Catarina  – comentado no último post – e Pará. Insiste na dicotomia “eles contra nós”. Usa um estilo de linguagem semelhante ao que, tempos atrás, causou chilique em esquerdistas de miolo mole a ponto do sr. Emir Sader produzir um texto tão tosco que lhe valeu uma condenação por acusar um demo de crime que não cometeu: racismo. Ainda bem que, até onde eu sei, não veio nenhum pateta direitista acusar o presidente que fala mais rápido do que pensa de genocida.



Mas um outro aspecto que me intrigou na fala de Lula naquela ocasião foi o seu zelo (sic) em acusar os Bournhausen, dando a entender que são uma oligarquia em SC. Somente neste país, um presidente que tem Sarney e Collor ao seu lado consegue seduzir alguém com tal discurso. É vergonha alheia pura!



No Pará, a ladainha é substancialmente a mesma: ataca a oposição relembrando seu passado desde a Arena e esquece de quem hoje o apoia (um de seus conselheiros preferidos em economia, Delfim Neto, saiu de onde?). É muita mistificação! Não me surpreenderia se, daqui a alguns anos, Lula aparecesse ao lado dos Bournhausen; apenas mostraria a repetição tragicômica de sua própria história, em que vídeos na rede o mostram antes do poder detonando os Sarney; depois aninhando-os como velhos companheiros! É o mestre da bravata!



Agradeça a economia – e aos marcos criados por seu antagonista FHC. Por mais cagada que tenha feito, acertou em alguns pontos – antes renegados por Lula e cia; hoje praticados sem dor na consciência – que atualmente proporcionam a Lula, ao menos, a fazer um governo mais inclusivo – apesar dos vícios populistas. Ou alguém é incauto o suficiente para achar que o carisma lulesco conseguiria produzir uma popularidade nas alturas se a economia estivesse no chão?