A inspiração para escrever anda em falta. Após um ano particularmente cansativo, chego vivo e com muita disposição para encarar mais uma jornada no novo ano a surgir em horas. Assunto para tratar teve aos montes. O problema é o enfado dos dias vividos que termina por minar a vontade de externar a insatisfação. Deparei-me com tanta coisa nestas últimas semanas que fiquei a refletir o quanto vale viver nesse país: na política, nas relações cotidianas, no trabalho. Diversos acontecimentos me fizeram pensar em qual será o sentido de vivermos em uma sociedade tão mesquinha, vil.
A violência, em particular, foi uma coisa que me levou a questionar porque insistir em viver por aqui. Foram tantos os casos escabrosos no país afora e o último que me impactou se deu na vizinhança onde moro. Em pleno 25 de dezembro, data simbólica para os cristãos, acontecia um homicídio brutal e chocante enquanto estava à frente de minha residência e percebia uma movimentação estranha a uns 150 metros.
Após muita movimentação, fico sabendo que um homem assassinou outro com 05 facadas. Usou 02 facas e uma das lâminas quebrou-se após ser cravada lateralmente no pescoço da vítima. O mais perturbador foi saber que se tratava de dois amigos, dois compadres, e o assassino tinha sido convidado para ser padrinho de batismo da filhinha do homem morto.
A virada de ano simboliza mudança. Ao menos esta é a nossa expectativa. Sinceramente, desejo que o próximo ano nos podemos avançar mais enquanto seres humanos civilizados e capazes de conviver em meio à discordância e à diferença. Não quero ter de conviver com a sensação doentia de que a qualquer instante minha família, eu ou meus amigos – ou qualquer pessoa – seremos inevitavelmente vítimas de uma sociedade em convulsão.
Desejo e contribuirei para nos colocarmos rumo à paz e a harmonia – mesmo que isso possa parecer tão distante e utópico.

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