quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Falastrão vendedor de livros de auto-ajuda divina agora é Serra


Notinha interessante: o pastor-vendedor de livros de auto-ajuda divina Silas Malafaia, no seu melhor estilo espetaculoso, anunciou não votar mais em Marina Silva; agora é José Serra. Segundo o falastrão, ao propor plebiscito para assuntos polêmicos como aborto e legalização da maconha, a verde mostra-se uma cristã dissimulada. Mais: cristão que é cristão “tem de mostrar a cara posicionando-se de forma categórica contra o pecado”. Expos sua posição em carta aberta enviada à manada.

Tudo bem. Cada um tem suas preferências e podem mudá-las como e quando quiser. Agora, quando vejo lideranças religiosas apelando a fatores divinos para tomar decisões terrestres, logo o alarme desperta em minha consciência. O vendedor de livros crê que Marina deveria simplesmente dizer não ao aborto por ser cristã e contra o pecado. Bem, Marina já disse diversas vezes ser pessoalmente contra não somente ao aborto, como contra casamento gay. 

Na verdade, gente como o Malafaia não quer apenas uma opinião incisiva contra o aborto. Gostaria de ver um/uma representante se dizendo contra a qualquer debate sobre o assunto. Porém, Marina é inteligente o suficiente para entender que, se uma vez revestida do poder presidencial, suas convicções religiosas não poderiam jamais se sobrepor à laicidade do Estado. Do contrário, rumaríamos para a teocracia. 

“Mas o que tem a ver laicidade e ser contra aborto?”, indagaria alguém. Enquanto estiverem numa perspectiva de opinião privada, nada. Contudo, quando se ocupa uma função pública, concernente não somente a você e ao seu grupo, que esteja sobreposta numa estrutura laica, as coisas mudam de figura. Você não toma decisões para meia dúzia de escolhidos; deve agir levando em consideração a todos e suas idiossincrasias. Logo, Marina se mostra correta em, mesmo sendo contra, levar a questão para o, digamos, debate público.

Fico a imaginar um Estado tendo à frente um líder malfaiano que tomaria suas decisões a partir do conceito de pecado: luxúria é pecado? Sou contra! Prendam todas as prostitutas, fechem todas as produtoras pornográficas, censurem a internet! Rock é música do diabo? Queimem todos os CDs e discos ainda existentes, identifiquem todos os baixadores da música profana e os exponham em praça pública! 

Como diria o irascível filósofo conservador Olavo de Carvalho: ora, porra!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Debates, debates...

Uma parada rápida nas atividades. Ontem aconteceu mais um debate entre os presidenciáveis - ao menos quatro deles - e apesar de algumas posturas um pouco diferentes daquelas do primeiro debate, nada de realmente excitante aconteceu. Ou melhor: quase nada.

Serra, o candidato tucano quase depenado, parece ter optado por uma nova estratégia: evitar o ataque direto à candidata petista. E assim iniciou sua série de perguntas indagando ao candidato do PSOL Plínio de Arruda Sampaio sobre como deveria ser a política externa do Brasil. O velhinho maluquinho, do alto de sua inimputabilidade conquistada nesta eleição para dizer o que lhe der na telha, apelou ao anti-americanismo rasteiro - aplaudido por sectários - e defendeu o direito à bomba atômica por parte do Irã, finalizando sua fala afirmando ser os EUA um país ditatorial - novamente foi aplaudido.

Bem, que os EUA merecem críticas pelas posições não raro contraditórias em nome da democracia e da  humanidade, não tenho dúvidas. Porém, apelar a bobagens superficiais dignas de adolescente revoltado que ouviu conversa de professor "revolucionário", alimentando mais ainda a limitação do assunto, para quem é minimamente informado fora dos catecismos, é algo intragável.

Marina foi um tanto incisiva em suas perguntas e algo superficial em algumas respostas. O velhinho maluquinho até que acertou ao indaga-la por que não se posiciona mais diretamente em determinados assuntos como aborto, discriminação da maconha, entre outros. Por fim, Plínio resolveu fazer das suas: cheio do seu socialismo vetusto, acusou: Marina é eco-capitalista!

No entanto, foi Marina responsável por um dos momentos mais interessantes do debate que, confesso, não captei em sua essência no instante. Quando a candidata verde perguntou à Dilma o que fazer para enfrentar a corrupção como a que se alastra na pasta da qual fez parte, a Casa Civil, levando em conta os recentes escândalos envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra, seu outrora braço direito, a petista mostrou toda a sua esperteza: lembrou de casos de corrupção do próprio governo.


Quem chamou atenção para a tática kamicase foi o blogueiro Gravataí Merengue. Ao responder Marina, Dilma disse que na época em que ela fora ministra do Meio Ambiente, servidores ocupantes de cargos de chefia da sua pasta estavam envolvidos em casos de venda ilegal de madeiras. Sim, a candidata do Noço Líder, para responder a uma acusação de corrupção no governo do qual faz parte, apela a denúncias de ilegalidades contra... o governo que faz parte! Por amor a Jaga !! O que é isso?! E teve gente que adorou, como o blogueiro petista Eduardo Guimarães. Surreal!

Vivemos dias absurdos no que tange à política. É candidato da oposição correndo da imagem de um dos seus principais aliados de dentro de seu próprio partido, apelando à imagem do principal adversário em seu programa político, é candidata que não se quer poste e relembra casos de corrupção de seu próprio governo, é candidato veterano embasando seu discurso sobre ideias de séculos passados que, quando experimentadas, revelaram-se desastrosas, e por aí vai.

Espero arrumar um tempo para fazer um desabafo final antes dessa eleição. A coisa não anda nada animadora.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Somente neste país. Ou: é a economia, Mané!

Esta postagem é basicamente uma reprodução de um comentário que fiz no Observatório da Imprensa. Como não tenho certeza de sua publicação e é mais um desabafo ante as bobagens proferidas pelo nosso presidente, garanto aqui o registro para a posteridade.



O problema de Lula é a língua ser muito mais veloz que o raciocínio. Basta ver seus últimos comícios em Santa Catarina  – comentado no último post – e Pará. Insiste na dicotomia “eles contra nós”. Usa um estilo de linguagem semelhante ao que, tempos atrás, causou chilique em esquerdistas de miolo mole a ponto do sr. Emir Sader produzir um texto tão tosco que lhe valeu uma condenação por acusar um demo de crime que não cometeu: racismo. Ainda bem que, até onde eu sei, não veio nenhum pateta direitista acusar o presidente que fala mais rápido do que pensa de genocida.



Mas um outro aspecto que me intrigou na fala de Lula naquela ocasião foi o seu zelo (sic) em acusar os Bournhausen, dando a entender que são uma oligarquia em SC. Somente neste país, um presidente que tem Sarney e Collor ao seu lado consegue seduzir alguém com tal discurso. É vergonha alheia pura!



No Pará, a ladainha é substancialmente a mesma: ataca a oposição relembrando seu passado desde a Arena e esquece de quem hoje o apoia (um de seus conselheiros preferidos em economia, Delfim Neto, saiu de onde?). É muita mistificação! Não me surpreenderia se, daqui a alguns anos, Lula aparecesse ao lado dos Bournhausen; apenas mostraria a repetição tragicômica de sua própria história, em que vídeos na rede o mostram antes do poder detonando os Sarney; depois aninhando-os como velhos companheiros! É o mestre da bravata!



Agradeça a economia – e aos marcos criados por seu antagonista FHC. Por mais cagada que tenha feito, acertou em alguns pontos – antes renegados por Lula e cia; hoje praticados sem dor na consciência – que atualmente proporcionam a Lula, ao menos, a fazer um governo mais inclusivo – apesar dos vícios populistas. Ou alguém é incauto o suficiente para achar que o carisma lulesco conseguiria produzir uma popularidade nas alturas se a economia estivesse no chão?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Eletivas

Serra quase serrado


Como diria a molecada: “o bagúi é doido, mano!” A coisa está numa tal desorientação para o candidato tucano com cara de Nosferatu, que parece que vai terminar depenado no 1º turno. A última de Serra foi seu destempero numa entrevista para a jornalista Márcia Peltier . Não é a primeira vez que José Serra se aborrece com entrevistas. No programa Roda Viva irritou-se com o apresentador. E ainda houve outras oportunidades oportunidades em que o tucano se mostrou quase paranoico com entrevistas, como se fosse alvo de uma conspiração petista.

Serão que estão colocando muito alho na comida de nosso Nosferatu?

José Dirceu: um eterno stalinista?

O José Dirceu parece não conseguir abandonar sua veia stalinista – será que é porque rima com petista? Numa palestra na Bahia mostrou-se descontente com a imprensa brasileira. Para ele, o “problema do Brasil é o monopólio das grandes mídias, o excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa”. Vá lá que grande parte de nossa imprensa insista em se querer isenta, mesmo não se mostrando isenta. Porém, daí a embarcar em críticas como a do sr. Dirceu, pode ser o primeiro passo para governos semelhantes aos dos admiráveis – para ele e Lula – dinossauros Castro ou o doidivanas Chávez.

Presidente Lula e a natureza bravateira

No fim do governo, o presidente Lula – a nossa majestade barbuda, como bem nomeou Heloísa Helena – resolveu a voltar aos seus dias de bravata – se é que os largou alguma vez. Num discurso em Santa Cantarina, resolveu atacar o DEM e a família Bornhausen, dando a entender que esta é um deletério para o estado. Quanto ao DEM, disse que deveria ser extirpado da política brasileira.
Bem, o que dizer sobre isso? Fico entediado quando vejo gente iludida com nosso presidente, como se fosse um messias encarnado. Lula é um político carismático e intuitivo, que costuma não perder oportunidades quando as tem. Nada tem de genial. É pura malandragem, sem preocupação com a lógica.

Quando o ex-senador Jorge Bornhausen, devido aos escândalos petistas do mensalão, disse em 2005: "A gente vai se ver livre desta raça (sic), por, pelo menos, 30 anos", foi um celeuma, encontrando seu paroxismo na pena militante petista de Emir Sader – o que rendeu uma condenação a este por preterir a crítica ao escândalo. Algum indignado virá a público chamar o presidente de genocida, por querer extirpar os demos e a família Bornhausen da política? Irão distorcer a fala do bravateiro mor do Brasil a tal ponto?

Outro aspecto que diz muito sobre o presidente é ele fazer críticas à família Bornhausen. Esquece que tem a família Sarney debaixo de sua asa, a mesma que em diversas oportunidades foi desancada por ele em seus discursos alucinados do passado. Que tem Collor como seu aliado e de sua candidata. Não me surpreenderá nada se daqui a alguns anos, Lula estiver ao lado dos Bornhausen e sua fala de hoje servir mais uma vez para demonstrar sua natureza política...

Lula nada tem de genial. É apenas um falador que consegue encantar uma massa de desencantados – composta por povo, intelectuais, políticos, puxa-sacos, etc, etc...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Vai cair de "podre"

Ufa! Quanto tempo!!

Lendo no Terra Magazine, constato o que deveria ser óbvio: Raul Castro cede aqui e ali para que seu sonho - ou pesadelo - socialista cubano não suma de repente e para sempre. Abre espaço, ainda que gradualmente, para atividades econômicas antes consideradas, digamos, sacrílegas. Segue a notícia:

Quinta, 9 de setembro de 2010, 08h07 Último reduto socialista, Cuba faz reformas desestatizantes

A estátua de Karl Marx voltará, assim que as reformas no metrô acabarem, à cidade de Berlim (Alemanha). Mas Cuba, um dos últimos redutos do socialismo no mundo, pode estar trilhando um caminho sem volta, cada vez mais distante do regime idealizado por Karl Marx.




Desde que o líder Fidel Castro, 84 anos, renunciou ao poder em nome de seu irmão, Raúl Castro, o governo comunista vem promovendo, a passos lentos, algumas reformas econômicas. Entre elas a descentralização da agricultura e o empréstimos de terras improdutivas do Estado.



A intenção dessas e de outras pequenas aberturas é diminuir o controle sobre a economia enquanto tenta gerar novas receitas para o governo. Ao autorizar a produção e a venda de qualquer produto em casa ou em barracas, Raúl Castro tenta eliminar o mercado negro existente na ilha e se beneficia dos impostos cobrados.



Nesta quarta-feira, 8, o articulista Jeffrey Goldberg, da revista Atlantic Monthly, contou em um blog que perguntou a Fidel se ainda vale a pena exportar o modelo comunista cubano para outros países e ouviu como resposta: "O modelo cubano não funciona mais nem para nós".


http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4667853-EI6580,00-Ultimo+reduto+socialista+Cuba+faz+reformas+desestatizantes.html