sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Somente neste país. Ou: é a economia, Mané!

Esta postagem é basicamente uma reprodução de um comentário que fiz no Observatório da Imprensa. Como não tenho certeza de sua publicação e é mais um desabafo ante as bobagens proferidas pelo nosso presidente, garanto aqui o registro para a posteridade.



O problema de Lula é a língua ser muito mais veloz que o raciocínio. Basta ver seus últimos comícios em Santa Catarina  – comentado no último post – e Pará. Insiste na dicotomia “eles contra nós”. Usa um estilo de linguagem semelhante ao que, tempos atrás, causou chilique em esquerdistas de miolo mole a ponto do sr. Emir Sader produzir um texto tão tosco que lhe valeu uma condenação por acusar um demo de crime que não cometeu: racismo. Ainda bem que, até onde eu sei, não veio nenhum pateta direitista acusar o presidente que fala mais rápido do que pensa de genocida.



Mas um outro aspecto que me intrigou na fala de Lula naquela ocasião foi o seu zelo (sic) em acusar os Bournhausen, dando a entender que são uma oligarquia em SC. Somente neste país, um presidente que tem Sarney e Collor ao seu lado consegue seduzir alguém com tal discurso. É vergonha alheia pura!



No Pará, a ladainha é substancialmente a mesma: ataca a oposição relembrando seu passado desde a Arena e esquece de quem hoje o apoia (um de seus conselheiros preferidos em economia, Delfim Neto, saiu de onde?). É muita mistificação! Não me surpreenderia se, daqui a alguns anos, Lula aparecesse ao lado dos Bournhausen; apenas mostraria a repetição tragicômica de sua própria história, em que vídeos na rede o mostram antes do poder detonando os Sarney; depois aninhando-os como velhos companheiros! É o mestre da bravata!



Agradeça a economia – e aos marcos criados por seu antagonista FHC. Por mais cagada que tenha feito, acertou em alguns pontos – antes renegados por Lula e cia; hoje praticados sem dor na consciência – que atualmente proporcionam a Lula, ao menos, a fazer um governo mais inclusivo – apesar dos vícios populistas. Ou alguém é incauto o suficiente para achar que o carisma lulesco conseguiria produzir uma popularidade nas alturas se a economia estivesse no chão?

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