Uma parada rápida nas atividades. Ontem aconteceu mais um debate entre os presidenciáveis - ao menos quatro deles - e apesar de algumas posturas um pouco diferentes daquelas do primeiro debate, nada de realmente excitante aconteceu. Ou melhor: quase nada.
Serra, o candidato tucano quase depenado, parece ter optado por uma nova estratégia: evitar o ataque direto à candidata petista. E assim iniciou sua série de perguntas indagando ao candidato do PSOL Plínio de Arruda Sampaio sobre como deveria ser a política externa do Brasil. O velhinho maluquinho, do alto de sua inimputabilidade conquistada nesta eleição para dizer o que lhe der na telha, apelou ao anti-americanismo rasteiro - aplaudido por sectários - e defendeu o direito à bomba atômica por parte do Irã, finalizando sua fala afirmando ser os EUA um país ditatorial - novamente foi aplaudido.
Bem, que os EUA merecem críticas pelas posições não raro contraditórias em nome da democracia e da humanidade, não tenho dúvidas. Porém, apelar a bobagens superficiais dignas de adolescente revoltado que ouviu conversa de professor "revolucionário", alimentando mais ainda a limitação do assunto, para quem é minimamente informado fora dos catecismos, é algo intragável.
Marina foi um tanto incisiva em suas perguntas e algo superficial em algumas respostas. O velhinho maluquinho até que acertou ao indaga-la por que não se posiciona mais diretamente em determinados assuntos como aborto, discriminação da maconha, entre outros. Por fim, Plínio resolveu fazer das suas: cheio do seu socialismo vetusto, acusou: Marina é eco-capitalista!
No entanto, foi Marina responsável por um dos momentos mais interessantes do debate que, confesso, não captei em sua essência no instante. Quando a candidata verde perguntou à Dilma o que fazer para enfrentar a corrupção como a que se alastra na pasta da qual fez parte, a Casa Civil, levando em conta os recentes escândalos envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra, seu outrora braço direito, a petista mostrou toda a sua esperteza: lembrou de casos de corrupção do próprio governo.
Quem chamou atenção para a tática kamicase foi o blogueiro Gravataí Merengue. Ao responder Marina, Dilma disse que na época em que ela fora ministra do Meio Ambiente, servidores ocupantes de cargos de chefia da sua pasta estavam envolvidos em casos de venda ilegal de madeiras. Sim, a candidata do Noço Líder, para responder a uma acusação de corrupção no governo do qual faz parte, apela a denúncias de ilegalidades contra... o governo que faz parte! Por amor a Jaga !! O que é isso?! E teve gente que adorou, como o blogueiro petista Eduardo Guimarães. Surreal!
Vivemos dias absurdos no que tange à política. É candidato da oposição correndo da imagem de um dos seus principais aliados de dentro de seu próprio partido, apelando à imagem do principal adversário em seu programa político, é candidata que não se quer poste e relembra casos de corrupção de seu próprio governo, é candidato veterano embasando seu discurso sobre ideias de séculos passados que, quando experimentadas, revelaram-se desastrosas, e por aí vai.
Espero arrumar um tempo para fazer um desabafo final antes dessa eleição. A coisa não anda nada animadora.

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