Eu poderia ser um cara extremamente revoltado com a polícia. Em 1989 marginais de farda assassinaram covardemente meu tio, que voltava de uma boate. Seu crime foi estar passando por um lugar de madrugada, onde a polícia cruzou com um bandido, que fugiu, e ele terminou por pagar o pato pela frustrada investida. Eram monstros com sede de sangue. O espancaram, o feriram, o levaram até a casa de minha vó, com vida e o levaram em uma viatura. No dia seguinte, entregaram mais um cadáver de um “resistente” à prisão. Clássico...
Ainda assim, respeito o trabalho da polícia. Ao menos a que trabalha dentro da lei. Conheço e tenho amigos policiais e sei das dificuldades da profissão. No entanto, o autoritarismo, o instinto assassino que paira sobre a corporação no Brasil e “toma” a mente de muitos de seus integrantes me desagrada. Me enoja. Todos os dias temos conhecimento de casos de abusos de policiais, que não raro terminam em tragédia. No último fim de semana não foi diferente. Policiais militares de São Paulo assassinaram um motoboy por espancamento, após uma suposta resistência à prisão.
É apenas mais um dos milhares de exemplos da deficiência de uma polícia que se vale da violência para combater a violência. Até quando? Não advogo por uma corporação apática. Os policiais devem agir energicamente, quando assim for necessário. Contudo, isso não implica covardia e barbárie. A força deve ser exercida com inteligência e não com a finalidade de abater quem é submetido.
Falta uma formação que vise uma polícia cidadã, que saiba exercer o seu poder dentro da legalidade e de forma humana. A selvageria não pode estar instaurada dentro de uma instituição que visa proteger e servir a sociedade.

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