Eu bem que tento. Afinal, além da falta de tempo, não desejo carregar a pecha de reacionário entre os amigos “progressistas”. Porém, o presidente Lula não permite. Ele sempre produz bravatas, quando não meras patranhas, quando está com a plateia a favor – ou seja, quase sempre. Nos últimos dias foram algumas boas.
Ao mesmo tempo em que alguns especialistas e muitos bajuladores viam como mais uma grande jogada sua o fechamento do acordo de troca de urânio do Irã por material nuclear turco, por aqui as coisas não pararam.
O fim ou a continuação do fator previdenciário está na ordem do dia. O governo Lula e o PT, que já foram contra o tal fator, instituído pelo presidente sociólogo FHC, são contra. O que antes era mais um avanço neoliberal do tucanato sobre o Brasil, hoje tornou-se questão de bom senso para manter as contas equilibradas. Mais uma vez, Lula mostra a lógica pura lulista que tanto encanta o mundo.
A outra do reizinho, que ainda vira reizão do mundo, saiu de Brasília hoje, durante uma solenidade de lançamento da tv Brasil internacional. Segundo o presidente, a TV Brasil, que começará sendo transmitida para 49 países africanos, servirá para mostrar o lado bom do país. Para Lula, a TV mostrará o país como ele é – muito provavelmente um paraíso...
Algumas palavras da majestade barbuda em seu discurso, que pode ser lido na íntegra num link fornecido na página indicada acima:
“Essa TV pública, ela pretende ser a cara do Brasil no exterior, porque se eu pudesse medir a qualidade do que tem até hoje, Tereza, parece que quando nós fazemos as coisas lá para fora, nós colocamos apenas os piores momentos. Vocês já viram os piores momentos na vida de algum de nós? Já viram numa partida de futebol, os piores momentos? Numa campanha política, os piores momentos? Então, nós não queremos que fique lá fora a imagem dos piores momentos deste país. Nós queremos que fique lá fora a imagem do que nós somos, como somos e por que somos assim.”
Tá, presidente. É interessante poder mostrar as potencialidades do Brasil e tal. Mas a vida real não é futebol. Piores momentos no esporte não resultam em morte, sofrimento para o povo. Piores momentos em campanha política não existem. Afinal, não raro é um momento ruim só: muitas promessas que não serão cumpridas e, normalmente, uma supervalorização do que já foi feito, quase nunca em consonância com a realidade
“E, depois, aquele negócio: “Mas isso aí é uma televisão para falar bem do Lula. É uma televisão...” Eu estou num momento da minha vida que quanto mais mal de mim eles falam, melhor para mim. Porque quando se mente demais, as pessoas descobrem que é mentira.”
É verdade. Quando se mente demais a verdade pode vir a tona. Como aconteceu com um certo presidente que dizia não saber de um tal mensalão antes do estouro do escândalo, que não tinha conversado com o ex-deputado Roberto Jefferson sobre o assunto, e que este ano disse à Justiça Federal justamente o contrário.
“De qualquer forma, eu reclamava muito com o Franklin, eu falava: “Rapaz, você, desse tamanho, está aqui e não me consegue fazer minha televisão internacional.” Eu fiz uma televisão, e eu estou saindo daqui a sete meses, portanto, talvez eu nem veja a integração total e absoluta da nossa televisão.”
Minha TV... Ele ainda vira rei...
Por fim, no mundo encantado de Lula, não cabem reportagens com estas, da Rede Record:

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