quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Os blogs e a propaganda política fora de hora

Chega até ser divertido ver dois dos principais blogueiros políticos do país denunciando a propaganda política antecipada para presidente. Cada um à sua maneira apresenta ao público o que deveria ser crime eleitoral, mas no Brasil, graças às sutilezas e à leniência, não comove ninguém. Nem as autoridades.

Reinaldo Azevedo, com o ímpeto e a acidez característicos, acusa o governo petista de se apoderar da Caixa Econômica para fazer propaganda oficial e, por conseqüência, eleitoral. O articulista, goste-se ou não do seu estilo, tem razão. A peça nacionalista, exaltando a conquista do pré-sal e as Olimpíadas no Brasil em 2016, não tem como fugir do apelo eleitoral. Qualquer cidadão comum, simpatizante do governo, associará as conquistas a Lula. E o esforço do presidente é apenas um: transferir sua popularidade e o êxito de sua administração para Dilma, candidata petista à presidência. Se terá sucesso ou não, saberemos em breve.

De outro lado, quase ao mesmo tempo, Luis Nassif reproduzia em seu blog notícia da Folha de São Paulo sobre o avanço do governo paulista, capitaneado pelo até então “relutante” candidato tucano à presidência, José Serra, valendo-se dos mesmos subterfúgios de exaltar suas realizações para igualmente fazer propaganda eleitoral fora de época. Por acaso, vi as duas propagandas enquanto escrevia. No caso do governo paulista, que “curiosamente” tem propaganda transmitida no estado do Espírito Santo justamente quando as eleições 2010 se aproximam, o tucano optou até por enaltecer o Rodoanel, talvez já esperando pela amnésia dos eleitores sobre a queda das vigas. Enquanto isso, laudo aponta falhas na execução do assentamento das vigas. Mais de 300 iguais a ela estão espalhadas pelo Rodoanel...

Curioso, para ser eufemístico, é que o exercício de divulgação da afronta às leis eleitorais encontra limites aparentemente programados. Os blogueiros são céleres em apontar os pecados do principal adversário, enquanto parecem perdoar taciturnamente as falhas do seu candidato preferido. E assim os pecados se propagam.


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