Segundo o misticismo popular, um galho de arruda serviria para espantar os espíritos maus ou a má sorte. Verdade ou não, fato é que o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, ex- DEM, não deve livrar seu pescoço nem morando numa floresta de arrudas. A cada dia, uma nova lambança envolvendo o seu nome.
No Folha online de hoje, o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal, Durval Barbosa, acusa o governador de ser responsável pela organização da planilha do pagamento de propina aos aliados. Apesar de Barbosa não apresentar provas, a acusação feita num depoimento ao Ministério Público Federal, tende a complicar ainda mais a situação de Arruda, o azarado.
Afinal, depois das imagens do governador e sua trupe recebendo dinheiro e saindo com ele nos lugares mais “distintos” como meias ou cuecas, além de orações de agradecimento a Deus após embolsarem de grana suja, não há muito que fazer. Pior foi a justificativa para o recebimento de R$ 50 mil: compra de panetone para os pobres.
Mesmo tendo se desligado do DEM, Arruda deixou o que chamo de capital político a ser explorado pelos adversários nas eleições do próximo ano contra seu ex-partido. Até pouco tempo atrás os demos tentavam posar de símbolos da justeza política – houve quem tenha acreditado, apesar da história demonstrar o contrário.
Depois do escândalo do panetone, envolvendo um político com uma administração bem avaliada e que dizia ser o seu limite a ética, “não dar mesada”, suspeito que os demos tenham ganhado um presente de grego. Ano que vem, nas eleições, não faltarão trocas de acusações entre a politicalha. Vai sobrar mensalão e faltar baluartes da ética.

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