Leio no Terra Magazine um artigo muito bom sobre o péssimo hábito do brasileiro em não respeitar o direito do próximo. É a mania de sempre querer achar um jeitinho de se resolver os próprios problemas sem importar-se com os problemas dos outros. Se consigo solucionar os meus, ainda que burlando as normas e deixando quem por direito deveria ter os seus resolvidos primeiros, é o que importa. Cidadania e respeito para quê?
Há muito tempo venho notando no dia a dia a falta do mínimo respeito que temos entre nós. Fila? Para quê respeitar? Seguir os trâmites burocráticos como todos os outros cidadãos por quê? Tenho um amigo de um conhecido de um primo que resolve. Azar de quem não tem! Alguns parecem demonstrar prazer em estar sempre em vantagem usando de subterfúgios.
E o vício é tão disseminado que mesmo gente como eu, que percebe esse péssimo hábito no dia a dia, às vezes se flagra aderindo-o, ao aceitar o convite de amigos ou conhecidos para “adiantar-se” na resolução de burocracias rotineiras. Porém, se não lutarmos primeiramente com nós mesmos contra essa praga que mina o exercício básico numa cidadania – o respeito –, chegaremos ao primeiro mundo econômico, sendo uma nação de última nas relações sociais.
Segue trecho do artigo de Daniel Annenberg e o link para lê-lo na íntegra.
Algumas considerações de final de ano
Daniel Annenberg
De São Paulo
...
Algumas vezes tenho extrema dificuldade para entender o ser humano...
Em outras, me sinto demasiadamente humano e percebo como é difícil conciliar os nossos interesses e desejos pessoais com uma concepção mais justa e mais ética do que devemos fazer.
Por exemplo, quando estamos morrendo de pressa para sermos atendidos em algum órgão público e abre-se uma brecha para passarmos na frente de outras pessoas, mesmo quando estas pessoas não percebem esta situação, não nos sentimos tentados a "furar a fila", passando por cima de nossos conceitos éticos de que isso é errado?
Com certeza, isso já ocorreu com quase todo mundo. Porém, porque algumas pessoas se utilizam deste subterfúgio e outras não?
Em outras situações, quando somos tratados de uma forma especial num atendimento público ou mesmo privado, por qualquer motivo que seja, não nos sentimos felizes e em geral não tentamos prolongar ao máximo situações como estas?
Ou ainda, quando estamos querendo agradar a uma nova namorada ou estamos com um bando de amigos, se aparece uma oportunidade para demonstrar que somos diferentes e/ou importantes, ou seja, lá o nome que se dá a isso, muitas vezes, não vamos contra os nossos princípios só para agradar aos outros?
Qual o limite para a forma como nos comportamos em sociedade?
Não são questões fáceis de serem respondidas e vocês devem estar pensando que estou trilhando um caminho estranho demais nesta coluna...
É que para mim, viver em sociedade, viver em comunidade tem a ver com respeitar o outro e em saber que determinadas atitudes não devem e não podem ser tomadas se queremos também ser respeitados.
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4179642-EI14214,00-Algumas+consideracoes+de+final+de+ano.html
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