E o “baguí” tá loco entre os intelectual, mano! Levando em conta, claro, que a acepção de intelectual aqui é meio, digamos, gramsciana: entra formadores de opinião e todos os que de alguma forma trabalham no campo das idéias – independente se estas elevam ou afundam o pensamento. Não bastasse o “combate” entre Reinaldo Azevedo e Janer Cristaldo – ainda que o primeiro tente esnobar o segundo –, agora a troca de golpes no corredor* do pancadão da suposta alta cultura é entre o sociólogo Demétrio Magnoli e o jornalista/economista Luís Nassif.
A “parada” entre Janer e Reinaldo já se arrasta há alguns dias como registrei abaixo. Após algumas voadoras diretas do primeiro e porradas a esmo do segundo, mais um golpe foi desferido. Cristaldo volta a atacar no corredor do pancadão intelectual com o artigo Para ocultar uma mancada atroz, recórter tucano papista hidrófobo falsifica seu próprio texto. Janer vê o erro quase infantil de Azevedo ao copiar e colar um trecho do Código de Processo Penal de Macau para ilustrar seu escrito, crendo ser do código brasileiro, como mais uma evidência do vício de copiar e colar do articulista de Veja, acusado também de desonesto.
Bem, o negócio aconteceu há quase um ano. Contudo Janer, intelectual chapa quente que é, aproveitando a atenção dada por Reinaldo, não deixaria por menos. Aguardo a próxima voadora de um dos lados.
Já as pancadas entre Nassif e Magnoli começaram recentemente. Após algumas provocações do primeiro, ele resolveu invadir o corredor e descer o braço no segundo por meio do texto A escandalização da Folha, onde tenta demonstrar que a matéria do jornal sobre suas supostas ligações pouco claras com o governo não passa de mais um factóide.
A certa altura, lembra de um artigo de Demétrio na Folha desancando dois jornalistas da casa que fizeram uma matéria crítica sobre a fala do senador Demóstenes Torres contra as cotas raciais, que teria corresponsabilizado os negros pela escravidão. Para Luis Nassif, o dono do jornal Otavio Frias teria convocado Magnoli para esculachar seus próprios funcionários, que teriam saído da linha traçado pelo supremo chefe, revelando assim, mais uma vez, o padrão medíocre da grande imprensa brasileira.
Demétrio Magnoli se recompôs e cruzou o corredor buscando Luis Nassif a caneladas. Escreveu em A hora e a vez dos caluniadores que seu adversário intelectual, com mania de conspiração, é alugador de pena – escreve para quem lhe paga – e caluniador. Creio que dentro de horas, Nassif tentará uma voadora argumentativa. Resta saber se conseguirá acertar seu alvo ou se vai terminar estatelado no chão, com Magnoli mando-lhe uma canelada no meio do coco.
E assim vai rolado o baile funk da alta (?) cultura.
* Para os desavisados, o corredor em destaque é o nome que se dá – ou dava – ao espaço aberto formado nos bailes funk, servindo de fronteira temporária, quando determinado grupo ficava a postos de um lado, enquanto os adversários de outro. Após algumas provocações à distância, alguns contendores se lançam uns contra os outros, invadindo o espaço alheio para trocar sopapos e desfazendo a linha fronteiriça do corredor. É o famoso lado A contra o lado B. Atualmente creio ser algo raro, haja vista que algumas diferenças podem acabar sendo resolvidas à bala.

Eduardo,
ResponderExcluirEta briga boa de se ver e de se ler!
1) O senador Demóstenes Torres não falou nenhuma mentira. Já está provado que os principais traficantes de escravos na África eram da própria terra. Recomendo a deliciosa leitura do livro "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" de Leandro Narloch, onde esse mito é derrubado em detalhes. Achei, inclusive, o senador extremamente corajoso ao se posicionar contra as cotas para afrodescendentes.
O mais curioso nessa história foi uma experiência pessoal que presenciei: tive um professor de história, marxista convicto, negro, que era abertamente contra a política de cotas que, segundo ele, estaria fornecendo atestado de incapacidade para o negro. Para você ver: isso não é unanimidade sequer em certos setores de esquerda.
Quanto a questão "negro", realmente é algo não tão fácil de separar. Meu caso é típico: minhas duas avós eram mulatas casadas com portugueses (aliás, os lusos sempre se amarraram em um bombom). Eu, se quiser, posso entrar pelo sistema de cotas como negro. Basta fazer uma análise de DNA para comprovar se tenho carga genética predominantemente negra ou branca. Isso a cor da pele não diz. Às vezes tenho vontade de fazer isso só para causar um barulho.
Quanto aos embates entre Nassif e Magnoli, até que o nível tem se mantido. Mais divertido foi quando o Nassif bateu de frente com Eurípedes "Boimate" Alcântara e Mário Sabino, ambos da Veja. Aí a chapa esquentou, com direito a série de dossiês do Nassif demonstrando ligações da Veja com Daniel Dantas, insultos do Reinaldo, acusações do Mainardi, chegando inclusive para a esfera judicial.
Eu já achei que o senador não foi tão bem em sua exposição. Fato é a escravidão entre os africanos. No entanto, isso em nada diminui a responsabilidade dos europeus. E da forma como o senador fez sua defesa contra as cotas raciais, deu margem para tal entendimento.
ResponderExcluirAliás, interpretação cara ao Olavo de Carvalho, que costuma tratar do assunto racial de forma jocosa e que nada contribui para o debate.
Outra parte que entendi como desastrada por parte do senador, foi no momento de explicar a mestiçagem valendo-se de Gilberto Freyre. Ele não conseguiu transmitir sucintamente a grandeza da interpretação do intelectual, abrindo possibilidades para o ataque da Laura na Folha.
Veja só: eu sou mestiço, filho de negra com branco, e morador de periferia desde que nasci. Poderia me valer das cotas raciais. Mas não o faço por estar em desacordo com a forma de combate ao racismo - que existe, sim, no Brasil - escolhida pela militância. Creio que as coisas como são conduzidas, mais servem para segregar do que unir a sociedade.
Definitivamente, racismo é uma coisa que me causa asco. Porém, não compactuo de qualquer forma de combate a ele.
Já a contenda entre Nassif e Magnoli, parece que não deve esquentar, não. Depois da "voadora" intelectual do Demétrio, Luis Nassif preferiu deixar sua explicação - da qual originou a resposta acerba do sociólogo - sobre o assunto no alto de sua página.
Bem, acho que Nassif não tem muito o que falar. Ainda que não seja um pilantrão, está com o rabo preso ao poder. Quem quer ser crítico independente não pode estar tão íntimo de governo nenhum.
Também não eximo os europeus da responsabilidade. O problema é que atualmente querem colocar a culpa da escravidão nacional exclusivamente no europeu, omitindo (algumas vezes deliberadamente) o fato de que os africanos tiveram parte ativa nesse processo, inclusive com algumas nações tendo construído verdadeiros impérios com os recursos do tráfico de escravos. Acho que a argumentação do senador falhou nesse ponto. Mas, de qualquer maneira, admiro a coragem dele de falar isso abertamente.
ResponderExcluirQuanto ao Gilberto Freyre, é impossível ser sucinto ao falar de sua obra, dada a riqueza de informações que ela possui...
A questão racial hoje no Brasil está se restringindo exclusivamente à esfera política, ou seja, com fins eleitoreiros, assim como a questão homossexual. O que é péssimo.
Também vejo como problemática essa potitização de algo tão profundo e relacionado com a formação cultural de uma nação. Afora o caráter fortemente ideológico, que compromete ainda mais a questão.
ResponderExcluirJá passaram-se cinco dias e o Reinaldo ignourou solenemente as acusações de Janer. Quem cala, consente...
ResponderExcluirPois é, Rafael. Reinaldo usa da estratégia de tentar ignorar o adversário, dar a ele importância menor. Como já comentamos por aqui, isso parece mais um atestado de que tem muito a perder se entrar numa embate com um adversário do tipo de Janer.
ResponderExcluirAlgo semelhante, com as devidas particularidades, parece estar acontecendo entre Nassif e Magnoli. Inclusive travei um debate com um leitor no Observatório da Imprensa sobre essa história de se apegar a uma suposta superioridade moral para não responder adversários.
Aliás, onde estava escrito "ignourou", leia "ignorou", por favor.
ResponderExcluirTenho que digitar mais devagar...