Mesmo avesso às teorias conspiratórias, a campanha dos 45 anos da Globo, que já saiu do ar há alguns dias, foi de um tontice absurda. Claro que se pode comemorar. Mas as opções visuais e sonoras – um fundo azul de vários matizes, com um 45 quase saltando da TV, jingle cheio de “queremos mais” –, em época de campanha presidencial, remetendo ao candidato considerado por muitos como o preferido da emissora – José Serra –, que poderá ser votado justamente por intermédio do número 45, tem no azul a cor referencial do PSDB e com slogan de campanha “O Brasil pode mais” , não poderia dar em outra coisa em dias de internet que não fosse à acusação de favorecimento.
Vergonha de ser vermelho fogo?
Uma nova peça publicitária do PC do B exaltando as conquistas do governo Lula e a importância do apoio do próprio partido a este, veiculada diariamente, anda me intrigando. Pois se é o Partido Comunista do Brasil, por que, ao final da propaganda, eles optaram pelo slogan “PC do B. O partido do socialismo”?
Seria por que este é o primeiro estágio pós-revolução, de acordo com a perspectiva marxista, para o alcance do sonhado – e nunca alcançado – comunismo? Ou tem a ver com receio de ainda ver este termo remeter a lembrança dos leigos à velha ideia de que os comunistas são sujos e malvados, além de comerem criancinhas? O socialismo, como não revelado realmente em essência para o povo, deve ser mais bem aceito.
Ao gosto metafórico do Lulão I e único, abriram mão do vermelho fogo para ficar com um vermelho neutro – valendo-se da gradação colorida bem ao gosto e entendimento femininos. No fundo, o desastre é o mesmo.
Veja Serra. O Obama brasileiro...
Que a forma como grande parte dos supostos progressistas brasileiros deseja combater os veículos tradicionais de informação não me interessa, deixo sempre explícito. Mas que nossa imprensa costuma apelar ao ridículo quando quer transmitir suas preferências, isto também fica a cada dia mais às escâncaras. A revista Veja desta semana resolveu colocar o candidato Serra na capa. Semanas atrás, tinha sido Dilma. No entanto, a preferência por um ou por outro parece ter ficado patente.
Enquanto Dilma mereceu uma foto acinzentada, com ênfase no vermelho, Serra aparece sorridente, bem photoshopado e com pose de Obama. Originalidade passou distante das redações de Veja. Nossas eleições prometem. Mais do mesmo.




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