quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ah!, a esquerda brasileira...

Não tenho compromisso com ideologias. O que me interessa é tentar contribuir para que a sociedade consiga um dia ser mais humana, civilizada. E para mim pouco importa qual pensamento contribuirá para alcançar tal propósito: se à direita, se à esquerda, respeitando a liberdade, valendo-se da justiça, e reconhecendo cada indivíduo em sua particularidade, desde que esta não atinja seu igual ou comprometa o bom funcionamento da sociedade, não vejo porque lutar contra determinada ideia. O compromisso inflexível com ideologias embrutece. Testemunhei dois exemplos esta semana.


O primeiro, com o Sr. Emir Sader, marxista, militante professor, que vive a lutar por uma ideologia capenga: o socialismo. Seu sectarismo o faz produzir bobagens e falsificações primárias da realidade. A mais recente, li no site Carta Maior. Sader tem um blog no nicho, onde vive a desancar o capitalismo, a direita e afins. Nada contra a crítica. Ela é essencial na construção de uma sociedade mais lúcida e capaz de compreender a realidade sem maquiagem. No entanto, quando é feita alicerçada sobre mentiras, apenas contribui para que a nebulosidade do pensamento mude de forma, mas permaneça encobrindo a essência dos fatos.


Em seu artigo intitulado “Quem era terrorista?”, Emir, a propósito de rebater as acusações sobre o passado “terrorista” da ministra e presidenciável Dilma Rousseff, tem o desplante de dizer que todos os que resistiram à ditadura militar no Brasil e, principalmente, pegaram em armas, lutavam pela democracia. Particularmente, eu teria vergonha de mentir desta forma. Afinal, mesmo sabendo que poderia atingir corações e mentes de desavisados, que não buscaram compreender a história para além do simples maniqueísmo ideológico, deveria ter em mente que nem todos são incautos.


Nem me volto para o ponto do terrorismo ou não dos guerrilheiros – que os métodos eram semelhantes, nem o historiador Eric Hobsbawm nega em seu a Era dos Extremos. O que me irrita é a falta de compromisso com os fatos, ainda mais por parte de um homem responsável por transmitir saberes a outras gerações. Qualquer estudante do ensino médio, curioso, que não se deixa satisfazer com o que lhe é oferecido apenas em sala de aula, sabe que os grupos que lutavam contra os militares ditadores no Brasil, tinham em mente qualquer coisa, menos a democracia. José Dirceu, a própria Dilma, José Genoíno, entre outras, sonhavam com dias cubanos no país. Nada além disto.


Que Emir queira questionar o fato de gente que esteve ao lado dos ditadores militares agora chamar a ministra de terrorista, não me oponho. Porém, devia fazê-lo em harmonia com a verdade, principalmente por ser um transmissor de conhecimento – ao menos deveria ser.


Outro exemplo da ignomínia que a ideologia pode provocar na mente do ser humano foi dado por Lula. Para variar, o presidente que surfa na crista da popularidade, voltou a soltar sandices. Foi para Cuba e lá visitou seus ditadores preferidos – Fidel e Raul Castro. Por uma mórbida coincidência, chegou justamente quando morria um opositor da ditadura cubana, Orlando Zapata Tamayo, após fazer greve de fome. Apesar de ter lamentado a morte do preso, o presidente brasileiro criticou o método de protesto. Alguma crítica sobre os direitos humanos na ilha? Nem em pensamento.


Muitas pessoas enxergam em Lula um messias. Eu apenas vejo um líder carismático, pragmático e de uma capacidade intelectual de uma ameba. O presidente é daqueles políticos incapazes de articular o pensamento dentro da esfera racional. É célere em condenar ações antidemocráticas de gente que não se alinha ao seu pensamento, como no caso de Honduras, mas é frouxo ante o autoritarismo dos ídolos de seus sectários, como Castro e Hugo Chávez. Numa de suas demonstrações de iluminação intelectual, em recente entrevista, afirmou ser a Venezuela uma democracia e seu governo a essência da democracia. Teve gente graúda no jornalismo e na academia que achou o máximo.


Já disse e repito: a esquerda brasileira, com as exceções devidas, na média é tosca, bronca, e em nada contribui para o amadurecimento cultural e intelectual da nossa sociedade.

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