terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O ódio devora os bons

Não poderia deixar de registrar isso. Ao ouvir o telejornal, fico sabendo do detestável assassinato do jovem Alcides do Nascimento Lins, morador de uma periferia em Pernambuco. Uma jóia rara em tempos de hipocrisia e mediocridade, Alcides, de família pobre e simples, conseguiu furar o bloqueio imposto por uma sociedade desigual por comodidade e apego à cultura da “esperteza”, passando no vestibular da Universidade Federal de seu Estado para freqüentar o concorrido curso de biomedicina. Se formaria no ano que vem.


A hipótese para o crime é o de engano. Não importa muito. O que realmente interessa é buscar entender e criar meios para se amenizar o ódio que corrompe e devora o que resta de bom em nossa sociedade. São tempos de horror. O crack se dissemina em todas as esferas sociais. A voracidade e indiferença com que se exercita o mal pelo nosso país parece apenas ameaçada pela letargia e naturalização ante o crime que parecem tomar conta de todos nós, reféns do horror cotidiano.


Precisamos fazer algo. Ou não restarão muitos de nós com capacidade para ajudar na mudança neste país – que será longa, caso se queira realmente mudar as coisas. Talvez alguns abastados, horrorizados de suas “celas” confortavelmente blindadas, assistindo à decadência do mundo exterior, esperando debilmente pelo salvador que nunca chegará.

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